O Irã lançou ataques com drones e mísseis no domingo, 28, contra o Bahrein e o Kuwait, em resposta aos ataques aéreos dos EUA que atingiram a o país persa, e ameaçou “suspensão total” das negociações para pôr fim à guerra caso Washington continue com seus ataques.
Os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz sem a supervisão direta do Irã desencadearam o fogo cruzado que agora assola a região e colocaram em risco as negociações para uma trégua duradoura. Um órgão marítimo multinacional supervisionado pela Marinha americana afirmou no sábado, 27, que expandiria uma rota próxima a Omã para o tráfego de entrada e saída, criando um novo ponto de tensão com Teerã.
A comunidade internacional há muito tempo considera o estreito uma via de passagem internacional, apesar de ele estar localizado nas águas territoriais do Irã e de Omã. Nos últimos dias, o Irã atacou duas vezes embarcações que passavam por uma rota no lado omanense do estreito, apoiada por uma agência das Nações Unidas.
O Irã insiste que só ele deve governar o estreito, a estreita foz do Golfo Pérsico que já transportou um quinto do petróleo e do gás natural do mundo. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou essa reivindicação durante uma visita de Estado ao Iraque no domingo.
“Qualquer interferência nesta questão, qualquer tentativa de estabelecer acordos novos ou distintos daqueles atualmente em vigor pela República Islâmica do Irã, só levará a mais complicações, atrasará a reabertura do Estreito de Ormuz e aumentará o nível de tensão, assim como nas duas últimas noites testemunhamos incidentes no Estreito de Ormuz que levaram a um aumento da tensão e do confronto”, afirmou ele em Bagdá.
Estados Unidos e Irã ainda debatem os termos de um acordo de paz provisório, incluindo acordos de navegação pelo estreito, o fim do bloqueio e das sanções dos EUA e a definição do futuro do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido. De acordo com o memorando de entendimento assinado no início deste mês, as duas nações têm 60 dias para acertar os detalhes.
Os ataques ameaçam inviabilizar o acordo antes que ele possa ser finalizado. Os combates contínuos no Líbano, onde um soldado israelense foi morto por tiros do Hezbollah na madrugada deste domingo, também têm ameaçado o acordo.
Ataques têm como alvo países do Golfo que abrigam forças militares dos EUA
As forças armadas do Kuwait informaram que as defesas aéreas interceptaram drones e mísseis iranianos na manhã de domingo, logo após os ataques dos EUA.
O Kuwait, que abriga uma importante base do Exército dos EUA, afirmou ter detectado e interceptado dois mísseis balísticos, sem relatos de feridos ou danos.
O Ministério do Interior do Bahrein informou que os ataques iranianos danificaram um prédio residencial próximo ao aeroporto internacional e que não houve vítimas fatais. O ministério divulgou fotos de um edifício de oito andares, com o último andar destruído, cheio de escombros e com as janelas estouradas.
O Bahrein abriga a 5ª Frota da Marinha dos EUA, cuja base no país sofreu repetidos ataques durante a guerra. O prédio danificado no domingo não ficava próximo ao quartel-general da frota, no centro de Manama.
O Ministério das Relações Exteriores do Bahrein denunciou o que chamou de “escalada perigosa que revela que o que Teerã está fazendo não é um ato passageiro, nem um incidente isolado, mas sim uma abordagem deliberada e um padrão sistemático de agressões repetidas”.
A Guarda Revolucionária, força paramilitar do Irã, assumiu a responsabilidade por ambos os ataques.
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Os últimos ataques dos EUA ocorreram depois que os EUA e o Irã trocaram ataques no início do fim de semana.
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