O Brasil manterá suas relações com a Argentina no nível de encarregado de negócios “enquanto persistirem os ataques de Javier Milei às instituições democráticas brasileiras”, disse uma fonte do Itamaraty à AFP nesta quarta-feira (5).

As tensões entre os dois países têm aumentado após os repetidos insultos de Milei contra o presidente Lula (PT), a quem seu par argentino chamou de “ladrão” e “corrupto”. Na terça-feira (4), o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível de suas relações com a Argentina.

Brasília considera as declarações de Milei um “absoluto desrespeito”, acrescentou a fonte.

Na terça-feira, Buenos Aires afirmou que o governo brasileiro havia solicitado que seu embaixador em Brasília, Daniel Raimondi, se retirasse do país. No entanto, a fonte do Itamaraty disse à AFP que a saída ou permanência do embaixador é decisão do governo argentino.

Milei na cerimônia de Flávio

O conflito diplomático começou quando Milei compareceu alguns dias atrás, em São Paulo, à cerimônia de oficialização da candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula nas eleições de outubro e filho do ex-presidente e aliado de Milei, Jair Bolsonaro.

Naquela ocasião, Milei acusou, sem apresentar provas, o governo do Brasil de “interferência política” contra a Argentina e insultou, sem mencioná-los diretamente, Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Depois disso, o Brasil chamou para consultas seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, pelas “ofensas proferidas” por Milei. Por enquanto, Bitelli permanecerá no Brasil.

Na terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina lamentou a decisão de rebaixar as relações e a descreveu como “puramente ideológica”.

A fonte do Itamaraty, por sua vez, afirmou que a medida “não é ideológica” e observou que o Brasil “mantém boas relações” com governos de diferentes tendências políticas.