Os democratas chegam à reta final das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos com vantagem nas pesquisas e a possibilidade de conquistar o controle da Câmara dos Representantes. A votação acontece nesta terça-feira (3), quando os americanos irão renovar toda a Câmara e aproximadamente um terço do Senado, além de escolher governadores em diversos estados.
Segundo o agregador de pesquisas RealClearPolling, consultado pela Jovem Pan neste domingo (1º), os democratas registram 51,8% das intenções de voto no levantamento nacional para o Congresso, contra 43,3% dos republicanos. A vantagem é de 8,5 pontos percentuais.
O cenário representa um desafio para o presidente Donald Trump, que enfrenta índices elevados de desaprovação às vésperas da votação. Na média da RealClearPolling, 59,4% dos americanos desaprovam seu governo, enquanto 38,8% aprovam.
As pesquisas também indicam disputas apertadas pelo Senado, inclusive em estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Kansas e Alasca. O resultado determinará a correlação de forças no Congresso durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial.
Democratas podem conquistar maioria na Câmara dos Representantes
A vantagem democrata aparece tanto nas pesquisas nacionais quanto nas projeções de distribuição das cadeiras da Câmara.
Na média dos levantamentos realizados entre 9 e 30 de outubro, a RealClearPolling aponta:
- Democratas: 51,8%
- Republicanos: 43,3%
- Vantagem democrata: 8,5 pontos percentuais
A pesquisa NBC News, realizada entre 28 e 30 de outubro, registrou 52% para os democratas e 45% para os republicanos. Já o levantamento Big Data Poll, realizado entre 27 e 30 de outubro, apontou 52% contra 40%, respectivamente.
Outros institutos também mostram vantagem democrata. A pesquisa Economist/YouGov registrou 50% a 41%, enquanto a Emerson apontou 52% a 42%.
O mapa eleitoral da RealClearPolling classifica atualmente 227 cadeiras da Câmara como favoráveis aos democratas, 184 aos republicanos e outras 24 como disputas sem favorito definido.
Como são necessárias 218 das 435 cadeiras para garantir a maioria, os democratas aparecem acima desse patamar nas projeções, mesmo sem considerar os distritos classificados como indefinidos.
A classificação representa uma avaliação das possibilidades eleitorais em cada distrito, não uma previsão de resultado definitivo. A votação nacional também não se converte diretamente em cadeiras, já que os representantes são eleitos individualmente em seus distritos.
Senado: oito disputas podem decidir o controle da Casa
No Senado, a disputa é mais equilibrada. O mapa da RealClearPolling aponta 47 cadeiras favoráveis aos democratas e 45 aos republicanos, enquanto outras oito estão classificadas como toss-up, expressão utilizada para eleições sem um favorito consolidado.
Para alcançar a maioria no Senado, um partido precisa conquistar 51 das 100 cadeiras.
Entre as oito disputas consideradas indefinidas, os democratas aparecem numericamente à frente em seis, enquanto os republicanos lideram em duas.
Confira as médias das pesquisas estaduais reunidas pela RealClearPolling:
- Maine: Troy Jackson (democrata), 49,1%; Susan Collins (republicana), 47%. Vantagem democrata de 2,1 pontos.
- Texas: James Talarico (democrata), 48,6%; Ken Paxton (republicano), 46,9%. Vantagem democrata de 1,7 ponto.
- Michigan: Abdul El-Sayed (democrata), 49,3%; Mike Rogers (republicano), 45,4%. Vantagem democrata de 3,9 pontos.
- Iowa: Ashley Hinson (republicana), 46%; Turek (democrata), 45,5%. Vantagem republicana de 0,5 ponto.
- Alasca: Mary Peltola (democrata), 49,4%; Dan Sullivan (republicano), 48,2%. Vantagem democrata de 1,2 ponto.
- Ohio: Sherrod Brown (democrata), 47,9%; Jon Husted (republicano), 45,3%. Vantagem democrata de 2,6 pontos.
- Kansas: Hamilton (democrata), 48,6%; Roger Marshall (republicano), 46,3%. Vantagem democrata de 2,3 pontos.
- Carolina do Sul: Darline Graham Nordone (republicana), 47,7%; Annie Andrews (democrata), 45%. Vantagem republicana de 2,7 pontos.
As diferenças são pequenas em grande parte dos confrontos, especialmente em Iowa, Alasca e Texas. Isso mantém abertas as possibilidades de vitória dos dois partidos.
Texas e Alasca estão entre os principais desafios dos republicanos
O Texas é um dos estados que concentram as atenções na disputa pelo Senado. Tradicionalmente favorável aos republicanos, apresenta uma corrida apertada entre o democrata James Talarico e o republicano Ken Paxton.
Na média da RealClearPolling, Talarico aparece com 48,6% das intenções de voto, contra 46,9% de Paxton.
Uma pesquisa YouGov realizada entre 26 e 29 de outubro apontou vantagem maior para o democrata: 51% a 47%. Em contrapartida, o levantamento Quantus Insights, realizado entre 26 e 28 de outubro, registrou 49% para Paxton e 48% para Talarico.
No Maine, a senadora republicana Susan Collins enfrenta uma disputa apertada pela reeleição. O democrata Troy Jackson registra 49,1% na média, contra 47% de Collins.
O Alasca também apresenta uma corrida equilibrada. A democrata Mary Peltola aparece com 49,4% das intenções de voto, diante de 48,2% do senador republicano Dan Sullivan.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown lidera a disputa contra o republicano Jon Husted por 47,9% a 45,3%. No Kansas, Hamilton tem vantagem de 2,3 pontos sobre Roger Marshall.
O resultado dessas disputas terá peso na definição do controle do Senado. Embora os democratas estejam numericamente à frente na maioria dos estados competitivos, as pequenas diferenças deixam espaço para mudanças até a apuração.
Eleições para governadores também indicam possibilidade de avanço democrata
Além das eleições legislativas, os americanos escolherão governadores em diversos estados.
Segundo o mapa da RealClearPolling, 23 estados estão classificados como favoráveis aos democratas, 19 aos republicanos e oito permanecem sem favorito consolidado.
Apesar da possibilidade de avanço democrata, os republicanos ainda aparecem à frente em disputas importantes, como Texas, Flórida, Geórgia e Kansas.
Confira algumas das principais médias estaduais:
- Texas: Greg Abbott (republicano), 50,3%; Gina Hinojosa (democrata), 46,6%.
- Flórida: Byron Donalds (republicano), 48,6%; David Jolly (democrata), 44%.
- Geórgia: Rick Jackson (republicano), 48,3%; Keisha Lance Bottoms (democrata), 47,3%.
- Kansas: Ty Masterson (republicano), 48,7%; Cindy Holscher (democrata), 45,5%.
- Wisconsin: David Crowley (democrata), 48,5%; Tom Tiffany (republicano), 44%.
No Texas, o governador republicano Greg Abbott busca a reeleição e mantém vantagem de 3,7 pontos sobre Hinojosa. Na Flórida, Donalds lidera Jolly por 4,6 pontos.
A Geórgia apresenta uma disputa mais apertada. O republicano Rick Jackson registra 48,3%, contra 47,3% da democrata Keisha Lance Bottoms, uma diferença de apenas um ponto percentual.
Em Nevada, uma pesquisa da Noble Predictive Insights divulgada em 30 de outubro apontou empate de 47% entre o governador republicano Joe Lombardo e o democrata Aaron Ford.
Desaprovação de Trump chega a quase 60% antes das eleições
Outro indicador acompanhado pela RealClearPolling é a avaliação do governo de Donald Trump.
A média nacional, calculada a partir de levantamentos realizados entre 9 e 30 de outubro, registra:
- Desaprovam Trump: 59,4%
- Aprovam Trump: 38,8%
- Saldo negativo: 20,6 pontos percentuais
A pesquisa NBC News, realizada entre 28 e 30 de outubro, registrou 60% de desaprovação e 40% de aprovação.
Já o levantamento Reuters/Ipsos, realizado entre 22 e 26 de outubro, apresentou 64% de desaprovação e 35% de aprovação.
Os números indicam que Trump chega às eleições com uma parcela majoritária do eleitorado desaprovando sua administração. O desempenho do presidente é um dos elementos do cenário político, mas não permite, isoladamente, antecipar os resultados legislativos.
O que está em jogo nas eleições de meio de mandato dos EUA
As eleições de meio de mandato acontecem na metade do mandato presidencial americano e definem a composição do Congresso para os dois anos seguintes.
A Câmara dos Representantes possui 435 cadeiras e é integralmente renovada a cada dois anos. Já o Senado tem 100 integrantes, com mandatos de seis anos e renovação parcial a cada eleição.
Uma eventual vitória democrata na Câmara poderia dificultar a aprovação de propostas do governo Trump e ampliar a capacidade da oposição de fiscalizar o Executivo.
Se também conquistarem o Senado, os democratas passarão a exercer maior influência sobre a tramitação de projetos e a confirmação de indicados pelo presidente para cargos federais, incluindo integrantes do governo e magistrados.
A composição das duas Casas terá impacto direto na capacidade de articulação política da Casa Branca até o fim do mandato presidencial, em janeiro de 2029.
Os números apresentados nesta reportagem são médias de pesquisas e classificações eleitorais da RealClearPolling, consultadas em 1º de novembro de 2026. O agregador reúne levantamentos de diferentes institutos, realizados em períodos distintos. As médias não representam resultados eleitorais nem possuem uma margem de erro única. As projeções de cadeiras também podem ser alteradas conforme novas informações sejam divulgadas.
A votação de terça-feira (3) definirá se os republicanos conseguirão preservar o controle do Congresso ou se os democratas conquistarão força suficiente para impor obstáculos à segunda metade do mandato de Donald Trump.
