O presidente Lula (PT) discursa nesta terça-feira (22), em Nova York, na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Como ocorre desde 1955, o Brasil será o primeiro país a falar, seguido pelos Estados Unidos, representados neste ano pelo presidente Donald Trump.

A fala de Lula deve tratar de temas que estão no centro da política externa brasileira, como a defesa do multilateralismo, a soberania dos países, a negociação para a solução de conflitos e a reforma das instituições internacionais.

O discurso ocorre em um momento de forte tensão internacional, com guerras e disputas diplomáticas em diferentes regiões. A expectativa é que o presidente mostre a posição brasileira sobre esses conflitos sem deixar de abordar questões econômicas e sociais, como fome, pobreza e desigualdade.

Entre os principais temas esperados no discurso de Lula estão:

  • Multilateralismo: defesa da cooperação entre os países e do fortalecimento das instituições internacionais;
  • Conflitos internacionais: defesa da negociação e da diplomacia como caminhos para a solução de disputas;
  • Soberania: defesa do princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países;
  • Reforma da ONU: Lula deve voltar a defender mudanças na estrutura da organização, principalmente no Conselho de Segurança;
  • Fome e pobreza: o combate à desigualdade e a segurança alimentar devem aparecer entre as prioridades brasileiras;
  • Mudanças climáticas: a agenda ambiental também deve fazer parte da posição apresentada pelo Brasil;
  • Crime organizado: o governo brasileiro pretende destacar a necessidade de cooperação internacional para enfrentar o crime organizado transnacional.

A reforma do Conselho de Segurança é uma reivindicação antiga do Brasil. O governo argumenta que a estrutura atual não representa adequadamente a configuração política do mundo e tem dificuldades para responder aos conflitos internacionais. Em discursos anteriores na ONU, Lula já defendeu uma mudança na composição, nos métodos de trabalho e no sistema de veto do órgão.

Lula fala antes de Trump

Um dos pontos de maior atenção da abertura da Assembleia Geral será a proximidade entre os discursos de Lula e Trump.

Pela tradição da ONU, o presidente brasileiro abre o debate geral e o presidente dos Estados Unidos, país-sede da organização, fala em seguida. Cada Estado-membro tem 15 minutos previstos para o discurso, embora esse limite nem sempre seja seguido à risca.

Até o momento, não há uma reunião bilateral formal entre Lula e Trump confirmada. Os dois, no entanto, estarão no mesmo local durante a abertura da Assembleia Geral, o que mantém a possibilidade de um encontro nos bastidores.

No ano passado, os presidentes tiveram um breve contato na ONU, quando Lula deixava o palco depois de discursar e Trump se preparava para falar.

Encontro com Guterres

Antes de ir à Assembleia Geral, Lula terá uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O encontro ocorre em uma fase final do mandato de Guterres à frente da organização e faz parte da agenda diplomática do presidente brasileiro em Nova York.

Além de Guterres, Lula participou de outros encontros durante a passagem pela cidade, entre eles uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e conversas com autoridades estrangeiras.

Por que o discurso é importante para o Brasil

A abertura da Assembleia Geral é um dos principais momentos da diplomacia brasileira no ano. O país ocupa tradicionalmente o primeiro espaço de fala do debate de alto nível, posição mantida desde 1955.

O discurso também permite ao governo apresentar, diante de representantes de quase todos os países-membros da ONU, as prioridades brasileiras para temas internacionais.

Neste ano, a Assembleia Geral ocorre sob o tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O debate geral reúne chefes de Estado e de governo entre 22 e 28 de setembro, em Nova York.

Agenda brasileira continua após o discurso

A presença do Brasil em Nova York não se limita à agenda presidencial.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanece na cidade durante a semana e participa de reuniões de grupos e organizações internacionais, como Brics, G77, G4, IBAS, Celac e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Também estão previstas discussões sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, desigualdade, direito internacional humanitário e atuação do Conselho de Segurança.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, participa de atividades relacionadas à segurança alimentar, proteção social e financiamento para o desenvolvimento.

A passagem de Lula por Nova York, porém, será curta. Depois do encontro com Guterres e do discurso na ONU nesta terça-feira, o presidente retorna ao Brasil.