O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) protocolou, na noite da última quarta-feira (2), um pedido de impeachment no Senado Federal contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), por possível envolvimento no escândalo do extinto Banco Master.

As solicitações, endereçadas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), falam em “crime de responsabilidade” e “fatos de extrema gravidade”. O candidato também diz que, se as suspeitas forem confirmadas, “podem indicar a existência de uma relação de favorecimento” entre os ministros Toffoli e Moraes com o empresário Vorcaro.

Toffoli deixou a relatoria do caso no começo do ano, após a PF (Polícia Federal) encontrar mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro com menções a supostos pagamentos direcionados ao ministro.

A corporação investiga se a transferência de recursos a Toffoli partiu da empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no Tayayá Resort, frequentado pelo ministro e que pertenceu aos irmãos dele.

Um fundo de investimento gerido por uma empresa citada no caso Master investiu R$ 4,3 milhões no resort. Atualmente, a família de Toffoli não está mais no quadro de donos do empreendimento.

Logo após assumir o comando da investigação pelo Supremo, Toffoli viajou para a Final da Libertadores, no Peru, no mesmo jatinho em que estava um dos advogados da defesa do caso do banco.

Já no pedido de impeachment contra Moraes, Renan cita o relatório da PF que atribuiu mensagens de Vorcaro ao ministro do STF. O documento veio a público após o ministro do Supremo, André Mendonça, retirar o sigilo na última terça-feira (1º). Em uma das conversas, está uma mensagem na qual o ex-banqueiro perguntou se precisaria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro do ano passado.

Segundo a investigação, o conteúdo das conversas permite deduzir que Moraes municiava Vorcaro com informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela PF.

“Evidentemente, a função de ministro pressupõe honestidade e imparcialidade. No caso, fica claro que os ministros receberam vantagens ilícitas, provenientes de uma das
figuras mais corruptas da história da República – Daniel Vorcaro. Certamente, Vorcaro não concedeu tais vantagens sem a expectativa de qualquer contrapartida”, diz trecho do documento.

A CNN Brasil pediu posicionamento do STF sobre os pedidos de impeachment de Renan Santos e aguarda retorno.

Pedidos de impeachment

Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, já acumula diversos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no Senado Federal. Ele, no entanto, não deu encaminhamento a nenhum deles.

Na quarta-feira (2), o presidente da Casa mencionou as mensagens de Daniel Vorcaro atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes.

Ao comentar a situação, ele lembrou do relacionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro para dizer que, agora, todos colocam a culpa somente no magistrado.

“Eu vou voltar para a pauta porque, senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.