A polícia espanhola desmantelou uma das maiores redes criminosas de tráfico de pessoas no Mediterrâneo, suspeita de ter trazido mais de 2.000 migrantes para o país, informou a polícia na sexta-feira (7).

“A Guarda Civil e a Polícia Nacional desmantelaram com sucesso uma das redes criminosas transnacionais mais complexas, ativas e perigosas já detectadas no Mediterrâneo”, afirmou a Guarda Civil da Espanha.

Segundo o comunicado, a rede utilizava embarcações de alta velocidade para transportar drogas sintéticas da Espanha para a Argélia e, na viagem de volta, para contrabandear migrantes para a costa sudeste da Península Ibérica e para a ilha de Ibiza.

O grupo, que empregava métodos extremamente violentos para proteger as embarcações, é apontado como responsável por pelo menos 64 operações de tráfico, obtendo um lucro de 24 milhões de euros, acrescentou a polícia.

Embora o número de migrantes irregulares que chegam à Espanha por via marítima tenha caído 31% no período de janeiro a julho, isso se deve principalmente a uma redução de 60% nas chegadas às Ilhas Canárias, uma vez que os acordos da Espanha com países da África Ocidental surtiram efeito, segundo dados do Ministério do Interior.

Por outro lado, os fluxos de migração irregular para o território continental espanhol e para as Ilhas Baleares aumentaram 22% e 10%, respectivamente, no mesmo período, à medida que os traficantes mudaram suas rotas para a Argélia.

Durante a investigação, realizada em colaboração com a Europol e as polícias da França, de Portugal e da Polônia, as autoridades apreenderam 18 embarcações de alta velocidade avaliadas em mais de 5 milhões de euros e prenderam 77 pessoas na Espanha e uma na Argélia.

A rede cobrava até 12.000 euros por pessoa transportada e levava até 50 migrantes por viagem, de acordo com o comunicado.

As travessias marítimas eram extremamente perigosas para os migrantes a bordo, afirmou a Guarda Civil, pois eles viajavam em condições de superlotação, em alta velocidade, com mar agitado, sem iluminação, com sistemas de navegação tecnologicamente avançados e, na maioria dos casos, sem coletes salva-vidas.

“Às vezes, os ocupantes eram até amarrados para evitar que caíssem no mar durante a travessia”, disse a polícia, acrescentando que a organização cometia atos de violência extrema contra seus próprios membros e contra os migrantes, bem como contra as forças policiais.

Conheça Ceuta, território da Espanha no norte da África