Um imigrante nicaraguense, detido por agentes de imigração dos EUA enquanto seu filho, um militar da Marinha americana, estava em missão no mar a bordo de um porta-aviões durante o conflito entre EUA e Irã, foi libertado da detenção, informou a família nesta terça-feira (25).

O anúncio da família no Facebook sobre a libertação de Luis Manuel Aviles Roa ocorreu três dias depois de Joshua Aviles tornar pública a prisão de seu pai, lamentando a angústia de servir ao país enquanto seu pai estava preso.

Em sua publicação no Facebook no sábado (22), Joshua Aviles disse que seu pai foi detido pelas autoridades de imigração apesar de possuir carteira de motorista, cartão de Seguro Social e permissão de trabalho, e de estar aguardando a obtenção do “green card”, que lhe concederia residência legal permanente nos EUA.

“Estou em missão há mais de nove meses, no mar, no Oriente Médio, a bordo do USS Abraham Lincoln, lutando por um país que me deu tudo”, escreveu o marinheiro.

“Não sei como posso continuar trabalhando mentalmente jornadas de mais de 12 horas sabendo que meu pai está em algum lugar, possivelmente sendo tratado como um criminoso”, acrescentou.

Agentes da Patrulha de Fronteira prenderam o pai do marinheiro após uma abordagem veicular em Key West, na Flórida, segundo o DHS (Departamento de Segurança Interna) dos EUA.

O DHS, órgão ao qual a Patrulha de Fronteira está subordinada, afirmou que Luis Manuel Aviles Roa havia entrado ilegalmente nos EUA e permaneceria sob custódia do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) enquanto aguardava os trâmites de deportação.

“Ter um familiar nas Forças Armadas não é salvo-conduto para violar as leis de nossa nação”, declarou o DHS no domingo (23).

No entanto, uma atualização publicada na terça-feira na conta do filho no Facebook dizia: “Luis foi libertado e está de volta à sua família”, acrescentando: “Somos gratos por todo o apoio a Luis e Josh durante essa situação”.

Nenhuma explicação foi dada sobre a mudança na situação do pai.

Nem o DHS nem o ICE responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

O USS Abraham Lincoln, que deixou o Oriente Médio no sábado, ganhou destaque recentemente em reportagens sobre os desafios enfrentados pela tripulação durante a longa missão do navio relacionada ao conflito com o Irã, período em que a embarcação não fez nenhuma escala em porto por mais de 200 dias.

Legisladores democratas afirmaram que o porta-aviões estabeleceu um recorde da era moderna de dias consecutivos no mar — uma questão que ganhou repercussão nacional depois que familiares dos marinheiros manifestaram preocupação com a deterioração das condições a bordo do navio de guerra.

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