Os cinco homens presos sob suspeita de planejar um ataque a uma base aérea britânica usada por bombardeiros americanos de longo alcance foram libertados sob fiança, informou nesta segunda-feira (28) a polícia britânica de contraterrorismo.

Segundo a polícia, os cinco são cidadãos britânicos da região de Londres, com idades entre 23 e 25 anos.

A libertação não significa que a investigação tenha terminado, afirmou Laurence Taylor, alto funcionário da polícia britânica de contraterrorismo, em uma breve coletiva de imprensa nesta segunda. Segundo ele, os cinco estarão sujeitos a condições rigorosas de deslocamento.

Os homens, que não foram identificados, foram presos na manhã de domingo (27) perto da base de Fairford, no oeste da Inglaterra, de onde bombardeiros B-1 dos EUA têm realizado missões contra o Irã.

Taylor afirmou que a polícia considera todas as possibilidades na investigação, “inclusive a possibilidade de que isso tenha sido cometido ativamente por representantes ou indivíduos que, consciente ou inconscientemente, estejam agindo em nome de um Estado estrangeiro”.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que presidirá nesta segunda uma reunião do COBRA, comitê responsável por coordenar respostas a emergências nacionais, “para garantir que tenhamos uma visão completa” do caso. Ele indicou que poderá “dizer mais” sobre o episódio ainda hoje.

As autoridades britânicas não informaram onde os homens estão detidos nem o que foi encontrado nas três vans brancas que eles aparentemente usaram.

Imagens aéreas registradas no domingo mostraram um robô de desativação de explosivos circulando entre as vans, em uma área de mata próxima à base. As portas traseiras de duas delas estavam abertas, e grandes objetos pretos podiam ser vistos espalhados pelo chão.

Mais tarde, equipes da CNN nas proximidades ouviram o que pareciam ser duas detonações controladas na direção do vilarejo onde as vans foram encontradas.

Ameaça iraniana

O Irã negou qualquer envolvimento no incidente. A embaixada iraniana em Londres afirmou nesta segunda que “condena veementemente as especulações infundadas e maliciosas” feitas por britânicos e veículos de comunicação que tentam vincular o Irã à prisão dos cinco suspeitos nas proximidades da base de RAF Fairford.

Questionado se um Estado estrangeiro hostil poderia estar por trás do incidente, o ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou nesta segunda que não queria “especular neste estágio da investigação”.

Em julho, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) mencionou especificamente o uso de Fairford por bombardeiros americanos e advertiu o Reino Unido de que “qualquer base usada para agressão contra o território iraniano constitui um alvo legítimo para nossas forças”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou as prisões como “fantásticas” e afirmou que os governos americano e britânico investigavam os homens “há muito tempo”.

“Trabalhar com a Grã-Bretanha foi um trabalho incrível”, disse Trump a jornalistas em Chicago. “Eles estavam planejando causar grandes danos à nossa fortaleza, e trabalhar com os britânicos funcionou muito bem.”

“Nós os monitorávamos há muito tempo e os pegamos”, afirmou.

As autoridades britânicas não comentaram a declaração do presidente americano. Não está claro se os cinco homens estavam sob vigilância antes de chegarem à região de Fairford nas primeiras horas de domingo.

“Encapuzados e mascarados”

Fotografias dos homens — sem camisa e com as mãos amarradas atrás das costas — foram publicadas pela imprensa britânica no domingo.

Inicialmente, eles foram detidos sob leis relacionadas à posse de explosivos. Depois, foram presos também “sob suspeita de preparação de um ato terrorista”, segundo a polícia de contraterrorismo.

Uma moradora disse que se deparou com os homens quando voltava para casa na noite de sábado.

“Tanto a entrada da minha propriedade quanto a estrada estavam bloqueadas por três vans brancas”, afirmou.

A moradora, que não quis ser identificada, disse à CNN que as vans estavam estacionadas em uma “formação estranha”, a cerca de 100 metros da cerca da base.

Ela afirmou que havia “definitivamente” mais de cinco homens no grupo e que a maioria estava com o rosto coberto. As autoridades, porém, não indicaram que estejam procurando outras pessoas e afirmaram no domingo que a situação estava sob controle. A CNN procurou a polícia sobre a divergência.

Segundo a moradora, alguns homens correram para o campo e outros em direção ao vilarejo vizinho.

Ela ligou para os serviços de emergência às 1h40, segundo registros telefônicos apresentados à CNN. Entre dez e 15 minutos depois, policiais armados chegaram ao local.

“Acho que foi pura sorte eu ter chegado ao vilarejo praticamente ao mesmo tempo que as vans”, disse a moradora, que é agricultora.

Vários veículos britânicos — incluindo BBC, Guardian e Telegraph — noticiaram, citando fontes, que a operação não foi baseada em informações de inteligência, o que sugere que a atenção dos moradores locais pode ter sido fundamental para alertar as autoridades.

A polícia de contraterrorismo afirmou ter recebido a primeira ligação “sobre três veículos suspeitos que pareciam estar seguindo em direção à base aérea” cerca de uma hora antes da chamada feita pela moradora.

Streeting afirmou que a moradora tinha apenas “uma visão parcial” da situação e acrescentou que o trabalho da polícia e dos serviços de segurança “muitas vezes acontece sem reconhecimento e sem ser divulgado, por boas razões”.

Segurança reforçada

Moradores disseram à CNN que a segurança no entorno da base foi reforçada nos últimos dias, com bloqueios nas entradas. As estradas e vias na área imediata, porém, continuavam abertas.

A mulher que chamou a polícia e outro morador disseram que, durante conflitos anteriores, como a guerra do Iraque em 2003, havia forte esquema de segurança ao redor da base.

Segundo eles, a segurança desde o início do conflito com o Irã tem sido menos visível.

Em março, o governo britânico autorizou a Força Aérea dos EUA a usar Fairford para realizar ataques contra instalações de mísseis iranianos usadas para atacar navios no Estreito de Ormuz.

Dias depois de a Guarda Revolucionária emitir sua ameaça contra Fairford, em julho, veículos de comunicação iranianos publicaram um vídeo de um grupo que se identificava como “patriotas iranianos” junto à cerca da base.

“Esta é a RAF Fairford, em solo britânico — o lugar de onde aeronaves militares americanas decolam dessas mesmas pistas para atacar nosso povo e nossa pátria”, diz um homem no vídeo, enquanto uma bandeira iraniana aparece pendurada na cerca.

“Viemos ficar a poucos metros do ninho das aeronaves hostis e erguer a orgulhosa bandeira do Irã”, afirma o homem não identificado.

Um porta-voz da Força Aérea dos EUA em Fairford — onde está sediada a 501ª Ala de Apoio de Combate — disse à CNN no domingo: “Por razões de segurança operacional, não discutiremos medidas específicas de proteção das forças”.

A unidade “permanece vigilante e tomará as medidas apropriadas para garantir a segurança de nossos militares, funcionários civis, contratados e suas famílias”, afirmou o porta-voz.

Entenda o que é a Otan e quais países integram a aliança