A polícia indiana deteve várias pessoas na capital, Nova Délhi, no sábado (3), interrompendo o segundo dia de protestos apoiados pelo Partido Cockroach Janta — liderado pela Geração Z — e por outros grupos de oposição contra as mudanças no cadastro eleitoral.

Os manifestantes afirmam que as mudanças beneficiam o partido do primeiro-ministro Narendra Modi e exigem a renúncia do chefe da autoridade eleitoral da Índia.

Os protestos são os mais recentes de uma série de atos liderados por jovens que surgiram este ano, exercendo sobre Modi uma pressão sem precedentes em seus 12 anos no poder.

Cerca de 100 manifestantes removeram barricadas de segurança no sábado e entoaram gritos como “ladrão de votos, saia do cargo” e “Gyanesh Kumar, renuncie”, antes que a polícia detivesse alguns deles à força.

O deputado independente Kapil Sibal, a presidente da Associação Estudantil de Toda a Índia, Neha Bora, e os ativistas políticos Prashant Bhushan e Yogendra Yadav estavam entre os manifestantes, segundo uma testemunha da Reuters.

A polícia se recusou a comentar sobre a quantidade e a identidade dos detidos.

“Primeiro, eles retiraram pessoas da lista eleitoral e agora não estão nos deixando levantar nossa voz contra isso. Isso é inaceitável”, disse Bora à Reuters.

O chefe da Comissão Eleitoral, Kumar, não se pronunciou sobre os protestos e as exigências para que ele renuncie.

A polícia impediu que um grupo de manifestantes se reunisse na sexta-feira (2), colocando-os em ônibus. Várias estações de metrô próximas permaneceram fechadas em meio a forte esquema de segurança.

Críticos afirmam que um processo nacional de verificação de eleitores, lançado no ano passado, levou à remoção de milhões de eleitores qualificados das listas eleitorais.

A comissão, há muito considerada uma das instituições mais confiáveis do país, afirma que a iniciativa tem como objetivo remover eleitores duplicados, falecidos ou inelegíveis.

A comissão instruiu as autoridades na sexta-feira a registrar novos eleitores qualificados e aqueles que foram omitidos das listas eleitorais.