Ações policiais realizadas no 1° semestre de 2026 [de janeiro a junho] causaram cerca de 3.260 mortes em todo o Brasil, número que equivale a 18 pessoas mortas por dia e a uma taxa de 3,04 óbitos a cada 100 mil habitantes.

Os dados foram levantados pela CNN Brasil nesta quinta-feira (30), a partir do indicador de “Morte por Intervenção Policial” no painel de estatísticas do MJSP (Ministério de Justiça e Segurança Pública).

O número é cerca de 0,43% maior quando comparado ao mesmo período de 2025, quando o país registrou 3.246 vítimas. Veja a série histórica dos últimos 10 anos:

Segundo o levantamento, a Bahia é o estado que lidera o ranking com o maior número de casos registrados no primeiro semestre deste ano, com 730 vítimas. Na sequência, aparecem São Paulo, com 352 vítimas e o Pará, com 329.

Cinco estados com mais vítimas por intervenções policiais (1° semestre de 2026)

  • 1° – Bahia: 730 mortes;
  • 2° – São Paulo: 352 mortes;
  • 3° – Pará: 329 mortes;
  • 4° – Rio de Janeiro: 324 mortes;
  • 5° – Paraná: 253 mortes.

Os dados ainda apontam que homens lideram o perfil das vítimas que morreram por intervenção policial, com 3.170 mortes, contra 34 mulheres contabilizadas como vítimas. Em outros 56 casos, o sexo não foi informado.

Entre os meses analisados, janeiro foi o que mais registrou o número de mortos. Veja número de casos a cada mês:

60 mil mortos por intervenção policial em 10 anos

O Brasil registrou 60.558 mortes decorrentes de intervenções policiais entre 2016 e 2025. Conforme o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o último ano da série foi o mais letal já registrado, com 6.602 óbitos, o que representa um aumento de 5,4% em comparação ao ano anterior.

Atualmente, a letalidade policial responde por 16,2% de todas as mortes violentas intencionais do país. Isso significa que, em cada seis assassinatos no Brasil, um é de autoria de agentes estatais.

O perfil das vítimas permanece constante: 97% são homens e a maior incidência ocorre entre jovens negros de 20 a 29 anos, que morrem 3,5 vezes mais que brancos em confrontos.