A delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto, presa na quinta-feira (15), em Brasília, suspeita de repassar informações sigilosas a integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi transferida para a Papudinha, onde passou a noite em uma cela isolada. A unidade também abriga Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso no âmbito das investigações sobre suspeitas de fraude em operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Master.

Conforme apurado pela CNN Brasil, a policial foi levada ao local porque foi presa no Setor Hoteleiro da capital federal e não tinha onde ficar. Ela permaneceu em uma cela isolada.

A Papudinha é o nome pelo qual é conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A unidade tem estrutura menor e mais controlada do que a dos demais estabelecimentos do complexo e recebe presos que necessitam de condições especiais de custódia, incluindo policiais e autoridades que, por razões de segurança, não podem permanecer com detentos comuns.

Vorcaro foi transferido para a Papudinha por determinação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), em junho deste ano. Na ocasião, a decisão estabeleceu medidas para impedir o contato do ex-banqueiro com outros investigados no caso Master, entre eles o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que também está preso na unidade.

A unidade também já recebeu outras figuras públicas condenadas no processo da suposta trama golpista.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permaneceu no local antes de passar a cumprir prisão domiciliar. Já o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques também estão presos na Papudinha. Os dois foram condenados no mesmo processo, assim como Bolsonaro.

Investigação contra a delegada

A prisão de Maria Virgínia ocorreu durante a Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, com apoio das polícias civis do Pará e de São Paulo, além de órgãos de inteligência e do Ministério Público.

Segundo o Ministério Público do Pará (MPPA), a delegada é suspeita de receber vantagens financeiras indevidas para repassar informações restritas e oferecer proteção institucional a integrantes do PCC.

A investigação apura uma possível ligação entre a policial e Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado pelas autoridades como uma das lideranças da facção na região de Muro Alto, em Ipojuca, no litoral de Pernambuco. Ele foi preso em janeiro de 2025, durante as apurações que deram origem à operação.

O caso também envolve suspeitas de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional. De acordo com o MPPA, documentos falsos, empresas e contas bancárias de terceiros podem ter sido utilizados para movimentar recursos e ocultar a origem de valores.

Em Belém, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência da delegada e no gabinete que ela ocupava na Divisão de Polícia Administrativa (DPA), na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Pará. O MPPA acompanha a investigação há cerca de seis meses, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A CNN Brasil tenta contato com a defesa da delegada. O espaço segue aberto para manifestação.

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