O Tribunal de Justiça da Bahia determinou que seis policiais denunciados pelo homicídios de dois homens durante a “Operação Travessia”, realizada em 10 de maio de 2025, sejam afastados de suas funções. 

O jovem negro Victor Cerqueira Santos e Davisson Sampaio dos Santos foram mortos durante a operação policial, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro (BA). A decisão da 1ª Vara Criminal de Porto Seguro também proíbe os investigados de entrar em contato com familiares das vítimas e testemunhas.

Segundo a denúncia do Ministério Público, as vítimas ainda teriam sido agredidas antes dos disparos de arma de fogo.

A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público da Bahia, que acusa os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade e os militares Angelo Rodolfo dos Santos Reis, Arthur Campos Barreto, Lúcio Mario Santos Sousa e Rodrigo Nogueira Mota por por dois homicídios qualificados, cometidos por motivo torpe.

Motivo torpe significa por motivo repugnante que demonstra sinal de depravação do espírito do agente, segundo a definição do Tribunal de Justiça. Além do recurso que dificultou a defesa das vítimas e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito.

A denúncia ainda ressalta que os agentes faziam parte de uma equipe operacional formada por membros do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, divisões de elite das corporações. 

Sobre a investigação de uma possível fraude processual cometida pelos militares, o MPBA informou que será apurada pela Vara de Auditoria Militar.

Quem eram as vítimas

Victor Cerqueira Santos Santana, de 28 anos, jovem negro, foi morto durante a Operação Travessia, em maio de 2025.

Vitinho, como era conhecido, era guia turístico morreu durante uma ação das polícias Civil, Militar e Federal que buscava prender o traficante Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como “Alongado”, líder da facção Anjos da Morte (ADM) – que também foi morto na operação.