Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto Fogo Cruzado revela dados alarmantes sobre o impacto da violência na vida cotidiana dos brasileiros. Melina Risso, diretora de pesquisa do Instituto Igarapé, avaliou, ao Live CNN, os desafios da segurança pública no Brasil.
Segundo o levantamento, 60% dos entrevistados afirmaram ter deixado de frequentar lugares que gostariam de visitar por causa da sensação de insegurança, enquanto oito em cada dez brasileiros declararam ter medo de sair à noite devido à criminalidade. Além disso, 30% dos entrevistados relataram ter abandonado o uso do transporte público em razão da violência urbana.
Sensação de insegurança supera os dados oficiais
Melina Risso destacou que a sensação de insegurança é um fenômeno permanente na sociedade brasileira. “Quando a gente olha todas as pesquisas, isso sempre está colocado, porque as pessoas são vítimas na rua”, afirmou.
Segundo ela, episódios como assaltos, furtos de celular e roubos com violência fazem parte do cotidiano de grande parte da população, alimentando continuamente esse sentimento de medo.
A especialista chamou atenção para o fato de que a percepção de insegurança nem sempre acompanha os indicadores oficiais de criminalidade. “Quando a gente olha os indicadores de roubo entre 2024 e 2025, a gente observa nos registros feitos nas polícias uma queda dos registros. Mas essa não é a sensação”, explicou Melina Risso.
Subnotificação e confiabilidade dos dados
Questionada sobre a confiabilidade das estatísticas de segurança pública, Melina Risso fez uma distinção importante entre diferentes tipos de crimes.
No caso dos homicídios, ela explicou que existem duas fontes de dados — os registros das Secretarias de Segurança Pública e os dados da área da saúde —, o que garante maior confiabilidade. “Olhar essa tendência dessas duas fontes nos garante uma confiabilidade dos dados”, disse.
Já em relação a crimes como violência contra a mulher e roubos sem necessidade de boletim de ocorrência para acionar seguros, a subnotificação pode ser mais significativa.
“Para isso que servem as pesquisas de vitimização, onde a gente compara esse cenário com as estatísticas oficiais”, explicou a especialista. Ela também ressaltou a complexidade do tema, apontando que a sensação de insegurança afeta diretamente a sociabilidade e a economia das cidades.
Expansão do crime organizado pela Amazônia
Outro ponto central da entrevista foi a expansão das facções criminosas pela região amazônica. Melina Risso explicou que grupos oriundos do Sudeste brasileiro passaram a buscar rotas de escoamento de drogas pelos estados do Norte, conectando-se diretamente aos países produtores de cocaína — Colômbia, Peru e Bolívia.
“A gente observou um processo de expansão para a Amazônia de algumas facções aqui do Sudeste tentando procurar rotas de escoamento dessa droga dos mercados produtores para mercados consumidores”, afirmou.
Essa rota passa por Manaus, segue para Santana e Macapá, no Amapá, e também por Belém, no Pará. Segundo a especialista, A presença dessas organizações criminosas altera profundamente a dinâmica territorial da região.
“A chegada desses grupos muda a dinâmica territorial”, alertou Melina Risso. Ela acrescentou que, além do tráfico de drogas, as facções passam a explorar outros mercados ilegais, como a extorsão, o que representa uma mudança significativa para as comunidades locais.
“Acho que tem um olhar aqui importante para entender esse avanço dessa presença dos grupos organizados e como o Brasil precisa lidar com esse cenário”, concluiu.

