O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, no processo que apura o chamado “escândalo das camisas”, que envolve suspeitas de desvios de uniformes do clube.

O pedido foi apresentado nesta sexta-feira (16), após a demissão de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do Corinthians e testemunha no caso.

Em manifestação encaminhada à 25ª Vara Criminal, o promotor Cássio Conserino afirmou que a demissão de Marcelo Munhoes, testemunha-chave do Ministério Público, ocorreu às vésperas da audiência de instrução, marcada para 10 de novembro, e que o episódio deve ser analisado no contexto da investigação sobre coação no curso do processo.

O promotor Cássio Conserino argumenta que Munhoes era uma testemunha importante contra Armando Mendonça, pois apresentou provas técnicas que ajudaram a identificar indícios de desvio de materiais esportivos.

Conserino também destaca que Marcelo foi demitido em um contexto no qual o presidente do Corinthians, Osmar Stábile, teria demonstrado apoio a Armando e criticado o trabalho do Ministério Público, mesmo representando o clube, apontado como vítima no caso.

Em e-mail enviado ao promotor Cássio Conserino, Marcelo relatou que foi desligado do clube sob a justificativa de questões de natureza política. No texto, ele afirma que considerou necessário informar as circunstâncias de seu afastamento.

O que diz a defesa?

Em nota, a defesa de Armando Mendonça afirmou ter recebido com surpresa o pedido do Ministério Público, apresentado pelo promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino. Segundo os advogados, a manifestação é abusiva por desconsiderar que a dispensa de Marcelo representa um acontecimento próprio do ambiente político do clube.

A defesa também afirmou que Marcelo se habilitou como candidato em uma chapa de oposição para disputar um cargo na próxima eleição do Corinthians.

Os advogados alegam que a acusação não apresenta provas e sustentam que a demissão de diretores é uma prerrogativa do presidente do clube. Além disso, acusam o promotor de parcialidade por manter conversas diretas com opositores políticos da atual gestão.

“Escândalo das camisas”

A renovação do contrato entre o Corinthians e a Nike tem gerado controvérsias no cenário esportivo. Durante o programa Domingol, Benjamin Back questionou a decisão do clube de manter a parceria com a Nike, mesmo diante de uma oferta aparentemente mais vantajosa da Adidas.

De acordo com informações debatidas no programa, a proposta da Adidas seria supostamente superior à renovação firmada com a Nike. A situação ganhou ainda mais destaque após o surgimento de um escândalo envolvendo valores excedentes cobrados pela Nike em contratos anteriores.