Dados da SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) mostram que o interior do estado concentrou a maior parte dos registros de crimes de violência contra a mulher no primeiro semestre de 2026.
Um levantamento realizado pela CNN Brasil analisou os balanços mensais divulgados pela SSP, divididos entre a Capital (município de São Paulo, sob responsabilidade do DeCAP), a Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo) e o Interior (municípios atendidos pelos Deinters).
A análise considerou os registros de feminicídio, tentativa de homicídio, lesão corporal dolosa, maus-tratos, estupro consumado e violência psicológica contra a mulher entre janeiro e junho deste ano.
Em todos esses indicadores, o Interior apresentou o maior número de ocorrências em comparação com a Capital e a Demacro.
No período, foram registrados 97 feminicídios no Interior, contra 24 na Capital e 21 na Demacro. As tentativas de homicídio também se concentraram na região, com 372 registros, enquanto a Capital contabilizou 142 e a Demacro, 120. Nos casos de lesão corporal dolosa, o Interior somou 20.772 ocorrências, mais que o dobro da Capital (8.855) e da Demacro (7.354).
Já os estupros consumados chegaram a 1.010 registros no Interior durante os seis primeiros meses do ano. Na Capital foram 380 casos, enquanto a Demacro registrou 299.
A violência psicológica contra a mulher, crime incluído na legislação brasileira em 2021, também teve maior concentração no Interior. Foram 2.428 registros, contra 455 na Capital e 332 na Demacro.
Os dados analisados pela CNN Brasil representam números absolutos de ocorrências registradas pela SSP. Como o Interior reúne centenas de municípios, enquanto a Capital corresponde apenas ao município de São Paulo, os números não indicam, por si só, maior incidência proporcional da violência.
O que diz a SSP
Em nota, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que o “enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade” e que tem atuado para prevenir ocorrências relacionadas a esse tipo.
Veja nota na íntegra:
“O enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade em São Paulo. A Secretaria da Segurança Pública atua de forma integrada na prevenção e repressão a esses crimes, além de ampliar continuamente a rede de proteção às vítimas e incentivar a denúncia e a notificação das ocorrências. Atualmente, o estado conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), 235 Salas DDM para atendimento em delegacias territoriais e mais de 650 policiais reforçando o atendimento nas unidades especializadas. Pela PM, a Cabine Lilás e a Patrulha SP Mulher Segura ampliam o monitoramento de agressores com medida protetiva e agilizam o atendimento de emergências via serviço 190. Há também as Salas Lilás nos IMLs , que somam mais de 2 mil atendimentos humanizados às vítimas em exames de corpo de delito. Além disso, o aplicativo SP Mulher Segura disponibiliza o botão do pânico e uma lista de serviços às mulheres, com mais de 76,5 mil usuárias já conectadas. A SSP ainda reforça a importância do registro de denúncias e comunicação imediata de qualquer crime contra mulheres, seja pelo 190, pelo aplicativo SP Mulher Segura ou na rede DDM em todo o estado. Mais de 10,9 mil homens já foram presos por violência doméstica somente em 2026, aumento de 25,7% se comparado ao mesmo período de 2025, além de 256 monitorados com tornozeleira eletrônica por violência doméstica. Pela Cabine Lilás da PM, já foram realizados mais de 34 mil atendimentos, com 141 prisões em flagrante por descumprimento de medida protetiva.”

