O Tribunal de Justiça Militar julga, nesta terça-feira (15), um capitão e um cabo da PM (Polícia Militar) acusados de matar o sargento Rulian Ricardo da Silva a tiros dentro de um quartel na zona Sul de São Paulo.

O julgamento do capitão Francisco Laroca e do cabo Fabiano Rizzo acontece na 4ª Auditoria Militar a partir das 14h e é presidido pelo CEJ (Conselho Especial de Justiça), composto por um tenente e três majores da corporação.

Morte por discussão

O crime ocorreu em 2023, na 4ª Companhia do 46º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano), no Alojamento de Sargentos, após uma briga entre os envolvidos.

A primeira discussão foi motivada por alterações na escala de serviço entre o Sargento Rulian e a Soldado Daiany de Godoy Silva.

Segundo a versão inicial apresentada pelos réus, Francisco e Fabiano, o crime ocorreu por legítima defesa. Os dois teriam ido até o alojamento para questionar Rulian sobre a discussão com Daiany.

Alegaram que o sargento apontou um revólver contra o capitão e tentou disparar duas vezes em seco, sem munição.

Em resposta, Rizzo ordenou que a vítima largasse a arma e atirou nele. Em seguida, Laroca também efetuou três disparos, matando o sargento.

Denúncia e indícios de fraude

A tese de legítima defesa foi contestada pelo Ministério Público, que apontou apontou indícios de fraude processual para adulterar a cena do crime e esconder a real dinâmica do homicídio, levantando a existência de outras motivações para o crime.

A denúncia do Ministério Público foi recebida pela Justiça Militar em 11 de março de 2026. Os réus respondem por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima e por se beneficiarem da situação de serviço, em concurso material com o crime de fraude processual.

CNN Brasil tenta contato com a defesa dos acusados. O espaço segue aberto.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo