O influenciador digital Gabriel Spalone Alves teve a prisão temporária convertida em preventiva após ser preso nesta quinta-feira (8), em São Paulo. Ele é suspeito de extorquir e ameaçar dois empresários com quem mantinha sociedade em uma empresa de tecnologia e transporte.

Spalone é réu por furto qualificado e associação criminosa em um esquema que desviou R$ 146,5 milhões por meio de transferências via Pix. A prisão foi cumprida por agentes da 1ª DAS (Delegacia Antissequestro), do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas).

Segundo o advogado de defesa do influenciador, Eduardo Maurício, a conversão da prisão temporária em preventiva depois de apenas dois dias demonstra uma “ilegalidade e a perseguição que o empresário e influencer vem sofrendo”. A defesa informou que vai pedir a revogação da prisão preventiva.

A CNN Brasil solicitou nota para a Secretaria de Segurança Pública sobre o caso e aguarda retorno.

Influenciador afirmou ser membro do PCC

Segundo a investigação, a partir de abril deste ano, as vítimas passaram ser ameaçadas e extorquidas por Spalone, que dizia integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital). De acordo com os relatos, o suspeito exigia o pagamento do valor investido nas supostas criptomoedas.

Com isso, as vítimas procuraram a Divisão Antissequestro, que iniciou as investigações e chegaram até o influenciador, suspeito de envolvimento nas ameaças e extorsões. A Justiça decretou a prisão temporária dele, cumprida nesta quinta-feira.

Durante o cumprimento do mandado de prisão, foram apreendidos três celulares, um iPad e um notebook na residência do influenciador.

Desvio milionário

Gabriel Spalone, dono das fintechs Dubai Cash e da Next Trading Dubai, foi alvo de uma operação deflagrada em setembro do ano passado, que mirava suspeitos de integrar um esquema que desviou R$ 146 milhões por meio de transferências via Pix.

De acordo com as investigações, o grupo utilizava a credencial de uma prestadora de serviços para desviar os valores de um banco, em fevereiro de 2025. A Polícia Civil constatou que o esquema utilizou 10 contas mantidas junto à entidade bancária para recebimento dos valores.

Em fevereiro deste ano, a Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória ao influenciador.

Ao analisar o pedido da defesa, a magistrada considerou que o acusado é primário e que a instrução criminal já colheu os depoimentos orais, restando apenas a juntada de laudo pericial.

Spalone havia tido a prisão preventiva decretada sob a justificativa de risco de fuga. No entanto, a juíza entendeu que medidas cautelares diversas seriam suficientes para garantir a aplicação da lei penal.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa afirmou que ainda não teve acesso ao processo mas assegura que Spalone não integra o PCC. Veja:

“Eduardo Maurício, advogado de defesa de Gabriel Spalone, afirma que ainda não teve acesso ao processo já que o mesmo está em segredo de justiça, mas assevera que seu cliente não integra o PCC, e que irá pleitear a sua liberdade em audiência de custódia, e se o caso, a revogação de sua prisão preventiva.”