A justiça gaúcha começa a julgar, em 17 de setembro, três acusados pelo homicídio da estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Sarah Silva Domingues, de 28 anos. Ela foi morta a tiros em janeiro de 2024, enquanto fazia uma pesquisa de campo na Ilha das Flores, no Bairro Arquipélago, em Porto Alegre.
Além dela, o comerciante Valdir dos Santos Pereira, de 53 anos, morreu no mesmo episódio. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), ele era o alvo da ação criminosa e a universitária foi morta ao ser atingida pelos disparos.
A denúncia foi apresentada em 21 de novembro de 2024 pela promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari, da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Porto Alegre, que atuará na acusação durante o julgamento. Os réus respondem por homicídios qualificados por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas, com utilização de arma de fogo de uso restrito.
O MPRS denunciou quatro pessoas: o apontado como mandante do crime, a irmã dele, que teria intermediado a comunicação para a execução da ação criminosa, e outros dois envolvidos. Porém, a justiça entendeu não haver provas suficientes para que a mulher seja submetida ao julgamento pelo Tribunal do Júri, como os outros três réus.
“Este é um caso de grande repercussão, com duas vítimas que não possuíam qualquer envolvimento com atividades ilícitas. Sarah estava na Ilha das Flores desenvolvendo seu trabalho de conclusão do curso de Arquitetura, motivada pelo propósito de contribuir para a melhoria das condições da região. Já o comerciante foi morto por se opor à atuação do tráfico de drogas na comunidade. São duas mortes que causaram profunda comoção social e evidenciam a gravidade dos fatos. A preservação da memória das vítimas e a responsabilização dos acusados identificados são objetivos centrais deste julgamento”, afirma a promotora Lúcia Callegari.
A investigação
Conforme a denúncia, o crime ocorreu em 23 de janeiro de 2024, quando a estudante e o comerciante foram atingidos por disparos efetuados por criminosos que passaram pelo local em uma motocicleta.
A investigação apontou que o comerciante foi alvo da emboscada por se opor à atuação do tráfico de drogas na comunidade onde vivia. Sarah estava no local, coletando entrevistas para o trabalho de conclusão de curso quando foi atingida pelos tiros.

