O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, afirmou que informou ao Banco Central que teria encontrado uma “solução” para a venda da instituição financeira no dia de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.

Durante oitiva em agosto deste ano com autoridades, o empresário falou de ao menos três idas aos Emirados Árabes Unidos em busca de investidores privados para o banco. Segundo Vorcaro, as tratativas de uma solução ocorreram após a negativa da compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília) em setembro de 2025.

As informações foram reveladas após o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), aceitar a solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachinpara retirar o sigilo do caso Banco Master na noite de quinta-feira (10).

Conforme o relato do ex-banqueiro, após a decisão, foi protocolado junto ao BC um pedido para a apresentação de uma nova solução em um prazo de até 180 dias. Desta forma, ele afirma que tal solução teria acontecido em dois meses, um período menor do que o solicitado.

Vorcaro descreve que a negociação do banco se daria em três blocos, com a primeira já com um contrato preparado e que seria enviado ao órgão monetário. Já os outros dois contratos seriam, segundo ele, concluídos durante a viagem que pretendia fazer.

“No dia 17 de novembro, eu aviso pela manhã o Banco Central que eu arrumei uma solução, que eu já estava protocolando o primeiro contrato, que eu viajaria à noite para que, no dia seguinte, nos próximos dois dias, eu apresentasse os outros dois contratos com a solução completa de venda do Banco Master”, declarou.

No dia da prisão do empresário, a Fictor Holding Financeira e um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos anunciaram a compra do Banco Master.

À época, o negócio estaria sujeito à aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), com um aporte imediato de R$ 3 bilhões para o fortalecimento da estrutura de capital do Master.

No entanto, no dia seguinte, em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro após a prisão do banqueiro e detalhes da investigação realizada pela Polícia Federal, que apontou fraudes na instituição financeira. Desta forma, as tratativas de venda não tiveram continuidade.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder