O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Estado de São Paulo e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (24), a Operação Crédito Oculto, uma nova fase da Operação Carbono Oculto. A analista de Política da CNN Clarissa Oliveira avalia, ao Live CNN, que a operação une o crime organizado ao caso Master.
Segundo Clarissa Oliveira, a operação simboliza de maneira intensa o combate à infiltração do crime organizado tanto em instâncias da máquina pública quanto no setor financeiro como um todo. “Ela é parte de todo um esforço, todo um empenho de autoridades brasileiras em várias instâncias de governo para asfixiar financeiramente o crime organizado”, afirmou a analista.
A figura central: o empresário conhecido como “Mineiro”
Nesta fase específica da operação, um ponto de destaque é a menção ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” e dono da empresa Entre Investimentos. Segundo Clarissa, ele é uma figura com vínculo direto com o caso Master.
“A gente está falando de um operador financeiro que trabalhava ali, atuava em conjunto com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master”, explicou a analista.
A empresa Entre Investimentos também teria vínculos históricos com o processo de financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia cujo protagonismo é a representação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Esse financiamento acabou aproximando o caso Master do senador Flávio Bolsonaro (PL), que, segundo Clarissa, “foi flagrado pedindo dinheiro para Daniel Vorcaro para fazer o financiamento desse filme”.
Convergência entre duas investigações
Para Clarissa Oliveira, a operação representa a união de duas frentes de apuração que vinham sendo conduzidas de forma paralela. “Nesta fase, essas duas investigações acabam se unindo neste ponto comum, que é o “Mineiro”, este operador financeiro que atuou em conjunto com Daniel Vorcaro”, destacou.
A analista descreveu o momento como o encaixe de mais peças de um “enorme quebra-cabeça”, montado ao longo de toda a corrida eleitoral, desde o período da pré-campanha.
Clarissa também ressaltou que a Operação Carbono Oculto foi fruto de disputas entre agentes federais e agentes do estado de São Paulo, com destaque para o Ministério da Fazenda, a Receita Federal e o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo a analista, “sempre há ali um movimento de tentar ganhar autoria, ganhar protagonismo nas operações de asfixia financeira do crime organizado”. A analista concluiu que o vínculo com o caso Master, tão próximo do período eleitoral, “é sim uma peça importante que merece atenção”.

