A equipe de defesa de Daniel Vorcaro aguarda decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para saber onde o ex-banqueiro continuará preso.

A defesa teme que ele seja transferido para uma prisão comum, após ter a segunda proposta de delação premiada negada pela PF (Polícia Federal) e pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Na semana passada, um pedido de prisão domiciliar foi protocolado no STF. Atualmente, Vorcaro está numa cela da Superintendência da PF, em Brasília. A defesa espera que, havendo a negativa para usar tornozeleira eletrônica em casa, o magistrado mantenha o ex-banqueiro onde está. A PF já sinalizou ser contra.

Conforme mostrou a CNN, Mendonça deve adotar o entendimento de que a integridade física de Vorcaro precisa ser preservada. Continuando na Superintendência da PF, ele evitaria contato com outros potenciais delatores, como o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa.

Durante sessão da 2ª Turma do STF, na terça-feira (16), em que foi decidida a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro — pai do ex-banqueiro – o ministro André Mendonça fez questão de ressaltar que todas as medidas tomadas até no caso do Banco Master visam preservar a integridade dos envolvidos.

Outro aspecto que deve ser levado em conta por parte do ministro é o fato de Vorcaro estar preparando uma terceira proposta de colaboração premiada. O ex-banqueiro estaria, inclusive, buscando outros advogados para tentar destravar a terceira proposta de delação premiada.

Vorcaro já trocou de advogado outras duas vezes. Atualmente, a defesa de Vorcaro é comandada pelo ex-presidente da OAB de Minas Gerais, Sérgio Leonardo, que ficou sozinho no cargo após a saída do criminalista José Luis Oliveira, conhecido como Juca.

Pessoas próximas ao dono do Banco Master garantem que a possibilidade de voltar ao Complexo Penitenciário da Papuda assustou Vorcaro e que ele avisou sua defesa que, desta vez, pretende juntar um material “mais robusto” aos documentos.

Investigadores e delegados da corporação têm dito que uma delação premiada só seria aceita em caso de informações comprovadas e que não deixem de lado autoridades envolvidas nos esquemas de corrupção.

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente no dia 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A detenção foi autorizada pelo ministro André Mendonça por conta de indícios de organização criminosa, crimes financeiros e ameaças a jornalistas e adversários.

Primeiro ele foi detido em São Paulo. Depois foi transferido para Brasília para a Penitenciária Federal. Com a possibilidade de delação premiada, ao assinar um termo de confidencialidade, passou a ser custodiado na Superintendência da PF para ter contato mais frequentes com advogados.