O deputado federal Mário Frias (PL-SP) chamou de “cortina de fumaça” a operação da PF (Polícia Federal) que cumpriu um mandado de busca e apreensão em sua casa nesta quinta-feira (10).

A investigação apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares apresentadas pelo deputado e tenta identificar se dinheiro público foi usado na produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em vídeo publicado nas redes sociais, Frias afirmou que vai colaborar com a investigação, entregar os documentos solicitados e disse acreditar que o caso será arquivado. “Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça”, afirmou.

Frias confirmou que agentes da PF estiveram em sua casa pela manhã e apreenderam celular, documentos e computador. Ele disse ainda que não houve mandados de prisão contra ele ou outros investigados.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), em decisão assinada em 3 de setembro.

O deputado destinou R$ 2 milhões em duas emendas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Gama. Os recursos foram destinados a projetos nas áreas de educação e esporte.

A PF investiga se parte desses recursos pode ter chegado à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. Karina também é dona da empresa.

Segundo a investigação, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional receberam R$ 700 mil do ICB com recursos de uma emenda de Mário Frias. Meses depois, a NTT Brasil, ligada ao mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment. Como mostrou a CNN, a PF investiga se os dois repasses estão relacionados.

No vídeo, Frias afirmou que emendas parlamentares não passam diretamente pelas mãos dos deputados e disse que os recursos são transferidos pelo Tesouro ao órgão responsável pela execução e fiscalização dos projetos.

O parlamentar também reclamou da falta de acesso da defesa ao inquérito. Segundo ele, seus advogados pedem acesso à investigação “há meses”.

“Vou colaborar com tudo que for pedido, vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda, representando São Paulo”, disse.