A PF (Polícia Federal) ainda mantém sob custodia da corporação policial 13 relógios apreendidos em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT). O parlamentar foi alvo de busca e apreensão em imóveis em Brasília e na Bahia, na última quinta-feira (18), no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes financeiras do Banco Master.

Durante a operação também foram apreendidos 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil). O montante foi apreendido em um quarto de hotel da capital federal, onde o petista costuma se hospedar quando está em Brasília.

De acordo com a representação encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal), os investigadores apontam uma série de benefícios que teriam sido concedidos ao senador, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao Banco Master, especialmente do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

Entre os episódios citados pela PF, estão o uso gratuito de jatinhos particulares vinculados a Augusto Lima ou ao Banco Master, o recebimento de ingressos para o show de uma artista internacional de alto valor, a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em mais de R$2,4 milhões e pagamentos destinados a uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar.

Atuação legislativa em pautas de interesse do Master

A representação da PF aponta também possíveis conexões entre interesses do Banco Master e a atuação legislativa do líder do governo no Senado. Wagner atuou em propostas para tentar ampliar o crédito consignado. A PF destaca que a pauta tinha ligação direta com os negócios de Augusto Lima, responsável por implementar, durante os governos de Jaques Wagner na Bahia, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que mais tarde foi incorporado ao Banco Master.

Outro foco da investigação envolve uma PEC com repercussões sobre o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). De acordo com a PF, mensagens e registros telefônicos mostram contatos entre executivos ligados ao Banco Master, assessores do senador e Jaques Wagner em datas próximas à apresentação da proposta.

A ampliação da cobertura do fundo, que acabou não se concretizando apesar dos esforços, era de interesse do Banco Master, que utilizava a garantia do FGC como um dos principais instrumentos para captar recursos no mercado.

Em uma suposta terceira frente de ação legislativa do senador, os investigadores apontam a atuação de Wagner em iniciativas relacionadas ao acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Wagner negou vínculo com Vorcaro no Plenário

Dois dias antes de ser alvo de busca e apreensão da Polícia Federal, Jaques Wagner usou o plenário do Senado para rebater suspeitas envolvendo seu nome nas investigações sobre fraudes no Banco Master.

Ele chamou de “leviana” uma reportagem da revista Veja sobre a segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro que citaria seu nome e afirmou que não foi procurado sobre as acusações.

Segundo a publicação, um capítulo do acordo de delação falava sobre negócios do Master com integrantes do governo da Bahia, com relato do banqueiro sobre um sistema de empréstimo consignado vinculado à folha de pagamento dos servidores estaduais.

“A capa da Veja fala que revelará os negócios do PT da Bahia, coisa que vem sendo repetida por diversas vezes e eu já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da (Polícia) Federal que encontrou algo sobre o meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa”, afirma o parlamentar em trecho de sua fala no plenário publicado nas redes sociais.

Senador se defende das acusações

O senador disse que acompanha com “tranquilidade o andamento das investigações” e que mantém a “confiança na condução delas”. Em nota encaminhada à imprensa, o parlamentar alegou que os valores apreendidos pela PF (Polícia Federal) são “fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais”.

O petista afirmou que o imóvel “jamais integrou” seu patrimônio e também nega qualquer atuação em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição.

Leia a nota na íntegra

“O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”.