O STF (Supremo Tribunal Federal) ocupa hoje um papel de centralidade no sistema político brasileiro, funcionando como ponto de convergência de todos os conflitos e problemas da República. A avaliação é de Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, que comentou a atual relação entre a Corte e a Polícia Federal (PF) ao WW.
A centralidade do STF no sistema político
Segundo Gabiati, antes de discutir o papel da Polícia Federal, é necessário compreender a posição que o Supremo ocupa no cenário institucional do país.
“O Supremo Tribunal Federal hoje é ponto de convergência de todos os conflitos e problemas da República. Para bem e para mal, mas o Supremo hoje é um ator central”, afirmou.
Nesse contexto, o cientista político avaliou que, diante de alegações de suposta interferência política dentro da Polícia Federal, era previsível que houvesse uma reação corporativa expressiva.
Gabiati se referiu à carta assinada por 27 superintendentes da PF, que reagiram “firmemente de forma corporativa para defender a reputação da Polícia Federal”. Para ele, divisões internas em qualquer organização são naturais, mas a resposta institucional era esperada.
Ambiente de instabilidade e volatilidade
A âncora e analista de Economia da CNN Thais Herédia destacou que o ambiente em que a Polícia Federal opera está longe da normalidade.
Ele citou o caso em que Dias Toffoli, como relator do caso Master, teria impedido a PF de trabalhar — escolhendo perito, enviando perguntas a delegados e mantendo provas retidas.
“Até o final do ano passado, a gente tinha um ministro do STF, o Dias Toffoli, que era o relator do caso Master, que estava impedindo a Polícia Federal de trabalhar”, disse.
Thais apontou que, após a mudança de relatoria para André Mendonça e o surgimento do caso do INSS, pareceu haver “uma força contrária de outra natureza”.
Para ele, o ambiente atual é marcado por grande volatilidade. “Já não é um ambiente de normalidade”, concluiu, reforçando a análise de Gabiati sobre a centralidade do STF: “é a partir da centralidade que sai a confusão”.

