Se você está com o ingresso na mão para curtir o Rock in Rio a partir desta sexta-feira (4), tem muito o que pensar: qual é o caminho até o festival, quais são os horários dos shows, onde encontrar os amigos e por aí vai. Uma das coisas que vale a pena pensar antes de chegar na Cidade do Rock, porém, é o que pode acontecer com o seu celular durante o festival.

Com milhares de pessoas dentro de um espaço, em conjunto ao uso constante do celular para gravar shows e fazer pagamentos por aproximação ou Pix, há um aumento significativo do risco de quedas, furtos e roubos. 

Apesar dessa exposição, o brasileiro ainda se previne pouco: dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) mostram que apenas 10 milhões de aparelhos contam com cobertura no país, o equivalente a 4% da base total em uso.

Os acidentes do dia a dia e os furtos em grandes eventos respondem por milhares de ocorrências todos os meses. Na operação do Grupo PLL, BPO (Terceirização de Processos de Negócios) que realiza cerca de 20 mil atendimentos mensais em seguros, lideram os acionamentos por danos, com 61% dos casos, enquanto roubos e furtos somam 39%. 

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Esses riscos elevados em aglomerações e momentos de distração é um alerta para quem vai à Cidade do Rock. Na Zurich Seguros, por exemplo, só o período entre o Carnaval e o pós-Carnaval registrou um volume de acionamentos 20% superior à média dos demais meses de 2025. 

Para o diretor de Subscrição em Parcerias da Zurich, Carlos Eduardo Silva, a exposição do aparelho e das transações exige atenção redobrada do consumidor ao escolher a apólice (contrato de seguro).

“Em um festival de grande porte, é imprescindível considerar tanto o risco de roubo e furto quanto os danos ao aparelho, que fica mais exposto a quedas, impactos e contato com líquidos.”

— diz Carlos Eduardo Silva, da Zurich

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Atenção ao tipo de proteção

Com todas essas informações em mente, o próximo passo é saber o que colocar na apólice. Para quem deseja cobrir tanto os danos físicos quanto potenciais prejuízos financeiros em transações bancárias, algumas opções de mercado oferecem a integração de coberturas em um único contrato, prevendo ressarcimentos para operações indevidas como Pix, transferências ou pagamento de boletos efetuados por terceiros após um crime.

De acordo com Silva, a decisão do consumidor deve considerar o nível de exposição aos riscos. O executivo explica que a junção de garantias para o dispositivo e para transações digitais em uma mesma apólice atende quem busca praticidade, enquanto coberturas para situações específicas, como saques ou transferências sob coação, exigem a avaliação de produtos voltados para esses eventos.

Ao escolher o seguro, é preciso ler as cláusulas com atenção, pois as coberturas variam. Segundo o diretor de Seguros Massificados e Personal Lines da Alper Seguros, Paulo Davidoff, mesmo que não exista um produto criado exclusivamente para festivais ou eventos de grande porte, o seguro de celular tradicional tende a suprir bem o básico – danos, furto e roubo. Porém, acessórios como carregadores, powerbank e fones de ouvido ficam de fora. 

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Para solucionar esse porém, há seguros focados em bolsas. Quem quer ir ao show com bolsa, mochila ou pochete, pode optar pela modalidade ‘bolsa protegida’. A diretora Comercial de Canais Especiais da Tokio Marine, Marcia Silva, explica que o produto garante o reembolso de bens mantidos no interior do item, como carteira, óculos de sol ou de grau, cosméticos, perfumes, chaves e documentos, e até o celular, a depender do limite contratado.

“O objetivo é proporcionar mais tranquilidade ao consumidor em momentos de vulnerabilidade, reduzindo os impactos financeiros decorrentes desse tipo de ocorrência”, pontua Marcia.

Já para quem tem receio de ser coagido a fazer transferências ou Pix, Carlos Eduardo Silva considera que apólices focadas em cartões cobrem compras e saques sob ameaça. Porém, vale destacar: a cobertura não inclui golpes.

“Golpes em que o consumidor é induzido a realizar uma operação, casos de estelionato ou outras situações que não estejam previstas na apólice podem ficar de fora. Por isso, além dos limites de indenização, é importante observar quais eventos e operações estão efetivamente cobertos”, ressalta o executivo da Zurich.

Vai contratar na véspera? Cheque a carência e guarde o IMEI

Para quem deixou para contratar a proteção de última hora, a dica principal é checar a data exata de início da vigência no certificado do seguro. Diversas opções no mercado não exigem período de carência e passam a valer logo após a aprovação da vistoria digital. 

A analista de Operações e Projetos da Simple2u, Laura Meroto, ressalta que o consumidor deve confirmar se o plano cobre furto simples – quando o aparelho é levado sem que a pessoa perceba –, já que algumas apólices só reembolsam o furto qualificado.

“Como os procedimentos e documentos podem variar conforme a cobertura contratada, conhecer previamente as condições da apólice ajuda a tornar esse processo mais simples caso seja necessário utilizá-la.”

— reforça Laura Meroto, da Simple2u

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Outro ponto que pesa no bolso é a franquia. No mercado de celulares, o valor da participação do segurado em casos de roubo ou acidentes costuma girar entre 20% e 25% do valor do aparelho no varejo. Se o smartphone sofrer uma queda e quebrar durante os shows, será preciso enviá-lo a uma assistência técnica credenciada para orçamento.

Caso o seu aparelho seja furtado ou roubado no evento, a orientação é registrar imediatamente o Boletim de Ocorrência (B.O.), avisar a seguradora e solicitar o bloqueio da linha e do IMEI, que é o código identificador de 15 dígitos do celular. 

Se houver prejuízo financeiro via Pix ou aplicativos de banco, Paulo Davidoff, da Alper Seguros, lembra que será necessário apresentar extratos, comprovantes e os protocolos de contestação abertos junto aos bancos.

“Em caso de dano, o segurado recebe orientações sobre as redes prestadoras credenciadas, que farão uma avaliação para verificar se o dano está coberto. Enquanto isso, orçamentos são realizados para dar andamento ao sinistro [ocorrência do risco previsto no contrato]”, disse Davidoff.

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Dicas práticas para curtir os shows

A melhor estratégia para não perder tempo de show resolvendo sinistros é a prevenção. Especialistas do setor recomendam uma lista de cuidados físicos e digitais que devem ser adotados antes e durante a permanência no festival:

  • Transporte seguro: Evite carregar o smartphone no bolso traseiro da calça ou nos compartimentos externos da mochila, prefira manter o aparelho guardado em uma doleira, pochete ou bolsa transversal posicionada à frente do corpo;
  • Atenção nas multidões: Tenha cuidado dobrado durante o uso do aparelho nos momentos de grande aglomeração, como na entrada e saída dos palcos ou ao transitar pelo evento. Para responder mensagens ou fazer pagamentos, busque locais mais tranquilos;
  • Ajuste de limites financeiros: Acesse o aplicativo do seu banco antes de sair de casa e reduza os limites diários para Pix e transferências bancárias;
  • Barreiras de segurança digital: Mantenha ativados o bloqueio de tela por biometria ou senha forte, a verificação em duas etapas e as ferramentas de localização e bloqueio remoto do dispositivo;
  • Anotações de emergência: Faça o backup dos seus dados preventivamente e guarde o código IMEI, o número da apólice e os telefones de emergência da seguradora e do banco anotados em um papel separado.

“A prevenção é sempre a primeira camada de proteção, mas imprevistos podem acontecer mesmo quando todos os cuidados são adotados”, salienta Laura, da Simple2u.

Apesar da necessidade de cautela no local do evento, os executivos enfatizam que os cuidados devem acontecer de forma natural para não atrapalhar a experiência do público.

“A percepção de risco cabe a cada pessoa. Não deve virar uma neura, pois a pessoa precisa aproveitar o momento, mas é necessário desenvolver um instinto de percepção do ambiente. Se a pessoa se educar para isso, consegue desenvolver esse cuidado naturalmente”, conclui Davidoff.

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