O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite continua detido na delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde se entregou à Polícia Civil no dia 18 de setembro. Até o momento, ele não foi transferido para uma unidade do sistema prisional.
Pela primeira vez desde que foi preso, Milton Leite prestou depoimento ao delegado Fabrício Intelizano, responsável pelas investigações conduzidas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) de Mogi das Cruzes. Durante o interrogatório, o ex-parlamentar negou todas as acusações relacionadas à Operação Vectura Corrupta, que investiga a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas do transporte público.
Em nota, o advogado de defesa, Aloisio Lacerda Medeiros, afirmou que Milton Leite respondeu a todas as perguntas, refutou integralmente as acusações e reafirmou sua inocência. Segundo o defensor, o ex-vereador está sereno e confia na Justiça e no prosseguimento das investigações para esclarecer os fatos.
O depoimento foi descrito como evasivo por fontes ouvidas pela Coluna. Ao comentar as declarações dos investigados, uma fonte da PC afirmou que, até aquele momento, não havia informações consideradas relevantes para o avanço da apuração, além das versões apresentadas pelos suspeitos.
Suposto esquema no transporte público
A prisão de Milton Leite ocorreu no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada em 17 de setembro pela Polícia Civil de São Paulo, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público.
A investigação apura a suspeita de que integrantes do PCC tenham ampliado sua influência sobre empresas de transporte coletivo. A decisão judicial que autorizou as medidas cautelares cita Milton Leite como suposto responsável direto pela operação de empresas investigadas e reúne elementos que levantam suspeitas sobre sua relação com a Transwolff, empresa de ônibus anteriormente investigada na Operação Fim da Linha.
Ao todo, a Justiça autorizou 16 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão. A investigação também envolve Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e apura possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e integrantes da facção criminosa. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação.
Milton Leite permaneceu sem ser localizado por mais de 24 horas após a deflagração da operação, até se apresentar espontaneamente à polícia em Mogi das Cruzes. Após passar por audiência de custódia, teve a prisão mantida pela Justiça. Em 23 de setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também rejeitou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.
Furto em escritório é investigado pela polícia
Outro episódio envolvendo o ex-vereador ocorreu na noite de 20 de setembro, quando criminosos invadiram o escritório de Milton Leite, na zona sul de São Paulo. Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação dos suspeitos, que deixaram o imóvel em um carro branco.
Durante a ocorrência, os criminosos levaram o HD que armazenava as imagens do sistema de monitoramento. Documentos e um aparelho celular foram apreendidos para análise pela polícia. Apesar da invasão, mais de R$ 19 mil em dinheiro e cartões em nome do político permaneceram no local.
A retirada do equipamento de gravação chamou a atenção dos investigadores, que passaram a apurar se os invasores procuravam documentos ou informações específicas. Uma possível relação entre o furto e a Operação Vectura Corrupta também está entre as hipóteses investigadas, mas, até o momento, não há confirmação de ligação entre os casos.
Em depoimento ao delegado Fabrício Intelizano, Milton Leite afirmou que o escritório era utilizado por ele e que realmente foi vítima de um furto. Segundo o relato apresentado à polícia, porém, ele disse ainda não ter conseguido ir pessoalmente ao local para verificar o que havia sido levado.
A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da invasão, a identidade dos responsáveis e o possível objetivo do crime.
