A Justiça dos Estados Unidos deve anunciar nesta terça-feira (13) a sentença de Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, condenado por organizar o assassinato do rapper Tupac Shakur, um dos maiores nomes da história do hip-hop. O crime aconteceu em setembro de 1996, em Las Vegas, no estado de Nevada, e permaneceu sem solução por quase 30 anos.
Davis foi considerado culpado por homicídio em primeiro grau, com uso de arma de fogo, em 31 de agosto deste ano. Ele é a única pessoa processada criminalmente pela morte do artista e pode receber a pena máxima de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Tupac tinha apenas 25 anos quando foi baleado, na noite de 7 de setembro de 1996. O rapper estava no banco do passageiro de uma BMW conduzida pelo empresário musical Marion “Suge” Knight, nas proximidades da famosa avenida Las Vegas Strip. Um Cadillac branco se aproximou do veículo enquanto os dois estavam parados em um sinal vermelho, e um dos ocupantes abriu fogo. Tupac foi atingido por quatro disparos e morreu seis dias depois, em 13 de setembro. Knight sobreviveu ao ataque.
Segundo os promotores, o assassinato foi motivado por uma disputa entre gangues rivais de Los Angeles. Horas antes do crime, Tupac e integrantes de seu grupo haviam agredido Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis, dentro do cassino MGM Grand. A confusão ocorreu na mesma noite em que Las Vegas recebeu uma luta de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon.
A acusação sustentou que Davis decidiu vingar a agressão, reuniu outros três homens e saiu à procura do rapper. Embora não tenha sido acusado de efetuar os disparos, ele teria fornecido a arma utilizada no assassinato e coordenado a ação. Pela legislação de Nevada, quem participa da organização de um homicídio também pode responder criminalmente pela morte.
Declarações
O caso ganhou um novo rumo depois que o próprio Davis começou a falar publicamente sobre sua participação no crime. Em entrevistas e no livro autobiográfico Compton Street Legend, publicado em 2019, ele afirmou que estava dentro do Cadillac e que entregou a arma aos ocupantes do banco traseiro. Essas declarações se tornaram peças centrais da investigação que resultou em sua prisão, em setembro de 2023.
Durante o julgamento, a defesa argumentou que Davis havia inventado ou exagerado suas histórias para ganhar dinheiro e notoriedade. Os advogados também questionaram a ausência de provas físicas que ligassem diretamente o acusado ao assassinato. Os jurados, entretanto, consideraram as provas suficientes para a condenação. Depois de ouvir testemunhas ao longo de várias sessões, o júri chegou ao veredito em aproximadamente três horas. Davis anunciou que pretende recorrer.
Quem disparou?
Apesar da condenação, uma das principais perguntas sobre o assassinato continua sem resposta definitiva: quem efetivamente disparou contra Tupac? Os outros três homens apontados como ocupantes do Cadillac, incluindo Orlando Anderson, já morreram.
O processo também trouxe novamente à tona o nome do produtor musical Sean “Diddy” Combs. Davis havia alegado publicamente que Combs ofereceu dinheiro para matar Tupac e Suge Knight. O empresário sempre negou qualquer envolvimento no assassinato e não foi acusado nesse processo.
A promotoria de Nevada informou que, até o momento, não existem provas suficientes para apresentar novas acusações contra outras pessoas.
Familiares de Tupac, incluindo seus irmãos Maurice “Mopreme” Shakur e Sekyiwa “Set” Shakur, devem participar da audiência desta terça-feira. A sentença representa uma etapa decisiva de um dos casos criminais mais conhecidos da história da música americana. A morte de Tupac, em 1996, e o assassinato do rapper Notorious B.I.G., seis meses depois, marcaram uma das fases mais violentas da rivalidade entre grupos ligados ao hip-hop das costas Leste e Oeste dos Estados Unidos.
Trinta anos depois, a Justiça americana se prepara para definir a punição do único homem condenado pelo assassinato de Tupac Shakur.
