O Brasil registrou 792.284 ocorrências de roubo e furto de celular em 2025, o equivalente a uma taxa de 371,2 casos por 100 mil habitantes. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Na comparação com o ano anterior, o número representa uma queda de 7,7%. Apesar da redução, o levantamento mostra que algumas cidades registraram índices muito acima da média do país. Para elaborar o ranking, o estudo considerou apenas municípios com 100 mil habitantes ou mais.

Entre as 10 cidades com as maiores taxas de roubos e furtos de celulares, há predominância de capitais das regiões Norte e Nordeste. A única exceção é a capital paulista.

Veja as 10 cidades com mais roubos e furtos de celular em 2025

Os estados do Pará e da Bahia são os únicos que possuem mais de uma cidade na lista. Confira:

  1. São Luís (MA): taxa de 1.517,0;
  2. Belém (PA): taxa de 1.487,0;
  3. São Paulo (SP): taxa de 1.390,5;
  4. Salvador (BA): taxa de 1.195,0;
  5. Lauro de Freitas (BA): taxa de 1.144,5;
  6. Porto Velho (RO): taxa de 1.123,2;
  7. Manaus (AM): taxa de 1.107,1;
  8. Olinda (PE): taxa de 1.060,3;
  9. Ananindeua (PA): taxa de 979,5;
  10. Teresina (PI): taxa de 975,3.

Embora apareça na terceira posição em taxa proporcional, São Paulo concentra 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados no país, mesmo reunindo cerca de 5,6% da população brasileira.

Roubos caem e furtos crescem

Os dados mostram uma mudança no perfil desses crimes. Enquanto os roubos, que envolvem violência ou ameaça, caíram 18,6% entre 2024 e 2025, os furtos, praticados sem violência, cresceram 0,9% no mesmo período.

Com isso, seis em cada 10 celulares subtraídos no Brasil são levados em furtos e quatro em roubos.

Segundo o Anuário, essa mudança está relacionada ao aumento do risco para quem pratica roubos, em razão da expansão de câmeras de monitoramento e da intensificação da atuação policial.

“O roubo exige contato direto entre o criminoso e a vítima, com uso de violência ou ameaça, o que aumenta significativamente a chance de o autor ser identificado ou preso. Há maior possibilidade de reação da vítima, intervenção de terceiros que estejam por perto, ação policial e registro por câmeras de segurança. Já o furto ocorre sem confronto direto”Anuário Brasileiro de Segurança Pública

O estudo também aponta que o programa Celular Seguro, lançado em dezembro de 2023 pelo Governo Federal, contribuiu para reduzir a rentabilidade desse tipo de crime ao dificultar o acesso imediato a aplicativos bancários.

“A hipótese é que o Celular Seguro reduziu sobretudo a rentabilidade do roubo, ao dificultar o acesso às contas e aos recursos financeiros das vítimas, enquanto seu impacto sobre o furto tende a ser menor, já que esse crime depende menos desse tipo de exploração e mais da comercialização do próprio aparelho”, diz o Anuário.

Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o programa Celular Seguro permite que vítimas de roubo, furto ou perda de aparelhos pedem o bloqueio do celular, da linha telefônica e das contas vinculadas às instituições parceiras. Além disso, a plataforma possibilita consultar gratuitamente se um aparelho possui alguma restrição antes da compra, por meio do número IMEI.

O programa também faz parte do Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), que reúne informações de aparelhos roubados, furtados ou extraviados registradas pelas Polícias Civis e pelos sistemas integrados. Segundo o governo, a base de dados fortalece a atuação das forças de segurança, amplia as chances de recuperação dos aparelhos e busca reduzir o mercado de celulares de origem criminosa.

Quando e onde os crimes acontecem

O levantamento mostra que os roubos ocorrem principalmente em vias públicas (77,2%) e no período da noite, com maior concentração entre 18h e 23h.

Já os furtos são mais frequentes durante o dia, especialmente entre 8h e 17h, e costumam ocorrer em locais com grande circulação de pessoas, como nas ruas (49,3%), em estabelecimentos comerciais (15,2%) e no transporte (6,1%).

No ano passado, os meses de março, na época do Carnaval, e junho, durante as festas de São João, registraram os maiores volumes de furtos, cerca de 20% acima da média mensal. Na região Norte, o pico ocorreu em outubro, na época das celebrações do Círio de Nazaré.

Medo da violência permanece

Apesar da redução no número de roubos, o levantamento cita uma pesquisa produzida em março de 2026 pelo FBSP, em parceria com o Instituto Datafolha, que aponta que a sensação de insegurança continua alta. O estudo mostrou que 78,8% dos brasileiros têm medo de ter o celular roubado ou furtado.

O levantamento também avalia que esse tipo de crime tem alterado os hábitos da população e pontua que há indícios de subnotificação, já que apenas uma pequena parcela das vítimas registra a ocorrência em delegacias. Segundo a pesquisa, cerca de 5,7% dos casos seriam oficialmente comunicados às autoridades.

“Evitar sair à noite, não levar o celular, deixar de comprar determinados aparelhos passam a ser relatos mais frequentes dos brasileiros que veem sua circulação e liberdade limitados pela expectativa de ser vítima de um crime”, aponta o Anuário.