O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) defendeu uma anistia “ampla e geral” aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Durante a sabatina à Jovem Pan nesta segunda-feira (31), no Jornal da Manhã, ele afirmou que a medida serviria para “pacificar” o Brasil e permitir que o debate político se concentre em outros problemas do país.
Questionado se uma eventual anistia deveria alcançar apenas o ex-presidente Jair Bolsonaro ou também os condenados pelos atos de 8 de Janeiro, Caiado respondeu: “Sim, todos. Isso seria uma anistia ampla, geral. Isso aí nós pacificaríamos o país. Nós vamos tratar de uma outra pauta. O Brasil está muito atrasado em tudo.”
Segundo Caiado, a discussão em torno do 8 de Janeiro contribuiu para aprofundar a polarização política e passou a ocupar espaço que, na avaliação dele, deveria ser dedicado a questões como segurança pública, endividamento e desenvolvimento econômico. “Essa continuidade dessa discussão, isso só faz alimentar um ódio que está atrasando o desenvolvimento brasileiro”, afirmou.
O candidato também argumentou que a concessão de anistias faz parte da história política brasileira. “A característica do brasileiro sempre foi sim, em todos os momentos, desde Império, República, sempre foi anistiar”, disse. Questionado se a medida poderia prejudicar a relação de um eventual governo seu com o Supremo Tribunal Federal (STF), Caiado voltou a defender uma mudança das prioridades do debate nacional.
“Isso aí não está levando nada de benefício ao cidadão. Então, é mudar a pauta”, afirmou. Para ele, problemas enfrentados diretamente pela população acabam perdendo espaço diante das discussões políticas relacionadas ao 8 de Janeiro.
“Eu não posso pegar o ônibus, eu não posso andar de celular, eu não posso andar com aliança hoje. Eu tenho que tirar e guardá-la. Eu não tenho educação de qualidade para meu filho”, declarou.
Médico, Caiado recorreu a uma comparação com a área da saúde para defender que o próximo presidente concentre esforços no que considera os problemas mais urgentes do país. “Quando eu insisto em poder demonstrar que sou médico, é porque eu sei o que é prioridade. Prioridade não é um corte na testa, é uma artéria sangrando. […] Eu tenho que focar naquilo que está matando o meu paciente.”
Na avaliação do candidato, entre essas prioridades estão o combate ao narcotráfico, a segurança pública, a educação, o desenvolvimento econômico, a pesquisa e a inteligência artificial. “É um país empobrecendo”, afirmou Caiado.
