O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que um policial federal o ameaçou durante um trajeto de helicóptero. Segundo o relato, uma pessoa teria dito que ele deveria “ficar quieto” e, em seguida, outra teria comentado que seria “mais fácil” jogá-lo da aeronave.
“’Foi fazer merda, agora vê se faz alguma coisa e fica quieto’, não sei o que, e tal, tal, tal. Aí o outro ia e comentava: ‘É mais fácil, de repente, jogar ele daqui’. Estava no helicóptero; isso, no ar”Daniel Vorcaro
O banqueiro disse que a situação ocorreu durante um voo à sede da Polícia Federal (PF) e afirmou ter temido pela própria segurança. Segundo ele, os comentários continuaram durante todo o trajeto.
“Então, essa foi a outra oportunidade que eu temi ali pela Vila. E foi durante todo o trajeto, durante todo o tempo, eu sofrendo esse tipo de intimidação”, disse Vorcaro.
O relato faz parte de uma audiência realizada no gabinete de Mendonça a partir de uma petição apresentada pela defesa de Vorcaro. O depoimento tratou de supostas ameaças e intimidações que Vorcaro afirma ter sofrido após ser preso.
‘Intimidatórios’
Durante a audiência, Vorcaro também relatou outros episódios que classificou como “intimidatórios”. Ao ser questionado pelo juiz se havia recebido uma ameaça pessoal direta de algum delegado, porém, o banqueiro respondeu que não.
O dono do Banco Master afirmou ainda que, durante o período de custódia na sede da PF, pessoas passavam pelo local e faziam comentários que ele considerava intimidatórios. Segundo Vorcaro, posteriormente advogados também teriam recebido mensagens de terceiros para que ele não prosseguisse com uma eventual colaboração.
“Existiram esses momentos que são, pelo momento que eu estou passando, foram extremamente intimidatórios, mas ainda assim eu continuei querendo prosseguir”Daniel Vorcaro
Em outro trecho do depoimento, Vorcaro disse que as mensagens recebidas indicavam que sua situação poderia piorar caso continuasse tentando colaborar com as autoridades. Ele relacionou as supostas intimidações ao contexto de sua prisão e às tentativas de apresentar sua versão dos fatos.
“E aí, durante esse período da colaboração, diversas vezes, diversos interlocutores e advogados me passavam mensagens, enquanto eu estava construindo ali a colaboração, de que eu não deveria seguir nesse caminho, de que as pessoas estavam falando que eu deveria ficar quieto porque que eu tinha família, que tinha não sei o quê, que iria piorar a situação”Daniel Vorcaro
