
Pela legislação eleitoral, os partidos políticos têm até esta quarta-feira como prazo final para realização de suas convenções. A maioria já homologou suas candidaturas, mas a data mais importante é o dia 15, quando – também de acordo com a legislação – se encerra o prazo para o registro de candidaturas. No fim de semana, o PT confirmou a chapa Lula/Geraldo Alckmin, enquanto o PL homologou o senador Flávio Bolsonaro como seu candidato. Resta, porém, definir o vice diante da negativa da senadora Tereza Cristina (PP). A ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) é a mais cotada.
As convenções fazem parte da burocracia eleitoral, mas são emblemáticas quando se avalia o discurso dos políticos. O presidente Lula, em um pronunciamento de cerca de uma hora, deu uma pista que mexeu com os bastidores. Em certo momento de sua fala, revelou ser seu último mandato e apontou que o ex-ministro Fernando Haddad – que estava na plateia – terá uma missão importante a partir de 2030, isto é, apontando-o como seu sucessor, algo que não fez nos últimos três mandatos.
Haddad até chegou a disputar a Presidência em 2018, mas só foi candidato porque Lula estava preso em Curitiba. Ao citar seu nome, agora, destaca dois fatores: Lula estará com 85 anos em 2030 e não poderá disputar a nova reeleição, o que reforça a indicação de Haddad como sucessor.
No campo bolsonarista a convenção também deu pistas: candidata ao Senado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não compareceu ao encontro que homologou Flávio Bolsonaro. Em decorrência de uma enxaqueca, passou o fim de semana no hospital, o que nos bastidores foi considerado uma estratégia para não posar ao lado do enteado. Michelle, no entendimento dos analistas, quer avançar em seu projeto para 2030 por conta própria.
Com o mandato de senadora – o que é mostrado pelas pesquisas -, terá força política. Sua atuação entre as mulheres também é emblemática, assim como seu avanço entre os evangélicos. Com uma agenda forte, já se apresenta como candidata da direita à Presidência da República. Será um novo cenário, pois nem Lula nem Jair Bolsonaro devem ser os cabeças de chapa.
A discussão a ser feita envolve a polarização. Com a decisão do Centrão de ficar neutro, o jogo de 2030 terá novas nuances, sobretudo pelo cansaço da população em ficar no contra ou a favor. De acordo com pesquisa Genial/Quaest, realizada entre os dias 10 e 14 de julho, 66% dos eleitores não se identificam nem como lulista nem como bolsonarista.
Quando perguntados se Lula deveria disputar a reeleição, 62% dos entrevistados disseram que não, enquanto apenas 32% entendem que o presidente deve se apresentar de novo. Apenas 2% não responderam ou não souberam responder. A outra pergunta consolida a primeira: Bolsonaro deveria abrir mão da candidatura e apoiar outro candidato? Entre os entrevistados, 65% disseram que sim, enquanto 26% entendem que ele, mesmo inelegível no momento, deveria manter a candidatura. Não souberam ou não responderam foram 9%.
De acordo com o Atlas Bloomberg, 79% acham que as quedas de braço entre Governo e Congresso mais atrapalham do que ajudam o Brasil.
Ao fim e ao cabo, a indicação de Haddad e as articulações de Michelle não significam, necessariamente, que os dois polos continuarão como protagonistas das eleições. O desgaste da polarização e a ambição de outros atores da política podem mudar o jogo.
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