

Depois de registrar 428 casos de hepatite A em março de 2026, Juiz de Fora contabilizou 20 confirmações da doença em julho — uma redução de 95,3%. Os meses representam, respectivamente, o maior e o menor número de casos registrados no município desde o início do ano. Conforme a Tribuna mostrou ao longo do primeiro semestre, a cidade enfrentou uma escalada de casos nos primeiros meses de 2026, em um período também marcado pelas fortes chuvas e enchentes.
Em março, enquanto a Prefeitura ainda tratava o aumento das notificações como pontual, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) já classificava o cenário como surto.
O avanço da doença também resultou em casos graves. Em maio, foram confirmadas duas mortes de pacientes com diagnóstico positivo para hepatite A, uma mulher de 60 anos e um homem de 37. Naquele período, Juiz de Fora chegou a concentrar quase 90% das confirmações registradas em Minas Gerais em abril, conforme os dados disponíveis à época.
Para a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) indicam que as ações adotadas pelo município foram efetivas para interromper as cadeias de transmissão. Entre as medidas estão fiscalizações sanitárias, atividades de educação em saúde, investigação epidemiológica, identificação e acompanhamento de contatos próximos de pacientes e vacinação de bloqueio.
Ao todo, cerca de 9 mil doses da vacina contra a hepatite A foram aplicadas no município em 2026. Desse total, 3.248 foram destinadas a crianças menores de 2 anos, público contemplado pela vacinação de rotina prevista no Calendário Nacional de Vacinação. Nesse grupo, a cobertura vacinal chegou a 77,13% em Juiz de Fora. Apesar da redução expressiva no número de casos nos últimos meses, o índice permanece abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde para a vacina contra a hepatite A em crianças.
Os dados mensais reforçam a tendência de queda após o pico registrado em março. Em abril, foram contabilizados 313 casos; em maio, 184; em junho, 65; e, em julho, 20. Os números, contudo, são preliminares e podem sofrer alterações à medida que as investigações epidemiológicas forem atualizadas, conforme destacou a PJF em atualização divulgada nesta segunda-feira (10).
A Secretaria de Saúde reforçou que a hepatite A é uma doença prevenível e que a vacinação é uma das principais formas de proteção. O Ministério da Saúde também aponta a vacina como a principal medida de prevenção contra a infecção. Além da imunização, medidas de higiene ajudam a reduzir o risco de transmissão, como lavar corretamente as mãos, consumir água tratada e manter cuidados no preparo e na higienização dos alimentos.
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