

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, disse na manhã dessa quinta-feira (29), não ter gostado da carta golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no dia anterior.
Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial do último domingo, 25, Flávio fugiu para os Estados Unidos dois dias depois e anunciou, já em solo americano que se considera “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Numa segunda versão, mudou o termo para ‘líder do Brasil’.
‘Vou contar muitas novidades para ele, contar como está toda essa situação para ele, vai dar tudo certo”, disse Valdemar ao chegar para uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Questionado o que tinha achado da carta de Flávio, ele respondeu: “Não gostei”.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou na quarta-feira (28), que Valdemar visitasse Bolsonaro. O pedido foi feito pelo ex-presidente, alegando “necessidade de diálogo direto” após o filho Flávio deixar o País sem entregar os passaportes, como tinha sido determinado pelo Supremo.
Em junho, Moraes tinha proibido visitas a Bolsonaro com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições. Naquela ocasião, Flávio divulgou uma carta do pai nas redes sociais após visitá-lo, descumprindo, no entender do STF, a medida cautelar que vetava o uso de plataformas digitais por parte de Bolsonaro, inclusive por meio de terceiros. O senador ficou proibido de ver o pai por 90 dias.
Carta golpista de Flávio teve três versões
A carta, divulgada por apoiadores e pelo próprio senador na quarta-feira teve três versões. A primeira tinha um brasão escrito “Estados Unidos do Brazil”, com o nome do país escrito em inglês e a data de 15 de novembro de 1889. O emblema remonta à Proclamação da República e vigorou até 1968.
O manifesto foi enviado pelo comunicador Paulo Figueiredo. Quinze minutos após distribuir o texto, ele divulgou uma nova versão, atualizando o brasão com nome correto do país. Flávio abrandou o tom em uma terceira versão, publicada no X às 17h51, autointitulando-se “o líder do Brasil”.
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão”, escreveu o senador nas duas primeiras versões da carta.
Flávio chamou o resultado do segundo turno de “fraude eleitoral” sem apresentar provas, repetindo o discurso do pai Bolsonaro em 2022. O petista foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, ante 48,22% de Flávio – por uma diferença de 4,4 milhões de votos.
Também caracterizou como “atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula” a prorrogação em duas horas do horário de votação definida pelo ministro do STF Cristiano Zanin, após pedidos das duas chapas, PT e PL. O senador disse que a decisão acrescentou 10 milhões de votos a Lula. Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio pediram a prorrogação do segundo turno.
A vitória de Lula foi reconhecida pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, na noite do último domingo. O PL e o vice de Flávio na chapa derrotada, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), também atestaram o resultado das urnas.

