O ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) avalia que o resultado do primeiro turno não vai interferir nas negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre política tarifária.
Ao ser questionado nesta quarta-feira (7) se o resultado do último domingo vai influenciar o tom das conversas com os EUA, Márcio Elias respondeu: “Não tem nada a ver uma coisa com a outra”.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou 45,16%.
Negociação
O Brasil e os Estados Unidos concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir um possível acordo comercial durante reunião do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com o representante comercial americano, Jamieson Greer, durante o G20 de Comércio, no estado de Wisconsin.
O governo brasileiro informou que os EUA devem encaminhar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para o escopo dos trabalhos, que contempla questões tarifárias e não tarifárias.
Os ministérios do Comércio e das Relações Exteriores buscam reduzir as tarifas impostas pelos EUA sobre o Brasil, que chegam até 37,5% a determinados produtos.
Em julho, Washington adotou uma tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras, com base em uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais. Outra sobretaxa, de até 12,5%, foi justificada por supostas falhas no controle da importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Soberania
O ministro participou Fórum das Agências de Promoção do Comércio e do Investimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, da Apex Brasil. Durante o evento, o ministro também defendeu a soberania dos países de língua portuguesa.
“Que todos nós possamos gozar da nossa independência, da nossa soberania, ditando nós mesmos os rumos das nossas nações, descobrindo as nossas dificuldades e meios de superá-las, sem admitir e sem permitir que queiram fazer dos países um quintal de qualquer outra nação. Não somos colônia de ninguém”, declarou o ministro.
A soberania do Brasil também foi mencionada no discurso do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. Para ele, o comércio brasileiro vive o seu melhor momento no mercado internacional, apesar da política tarifária americana.
Em setembro, a balança comercial registrou um superávit de US$ 7,7 bilhões. O valor é resultado do saldo entre US$ 26,7 bilhões em importações e US$ 34,4 bilhões em exportações. No ano, de janeiro a setembro, o Brasil acumula superávit de US$ 62,3 bilhões.
Esse resultado representa um aumento de 146,4 % em relação ao mesmo período de 2025, quando foi registrado um superávit de US$ 3,1 bilhões.
“Nós estamos em um cenário desafiador. Um cenário complexo da geopolítica internacional. Todos nós sentimos isso. Nós percebemos o quanto isso impacta a cooperação, o comércio e a atração de investimentos. É um momento para a gente se diferenciar”, disse Laudemir.

