No último dia de campanha antes do segundo turno das eleições, no sábado (24), Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrarão suas agendas nos três principais colégios eleitorais do país: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os três estados somam cerca de 40% do eleitorado brasileiro, e Flávio Bolsonaro saiu vencedor nos três no primeiro turno. Ao CNN 360º desta terça-feira (20), a analista de política Edilene Lopes detalhou as estratégias adotadas por cada campanha nessa reta final decisiva.
Flávio aposta no “Bloco do Nikolas” em BH
Flávio Bolsonaro iniciará o dia em Belo Horizonte, participando do chamado “Bloco do Nikolas”, evento criado por Nikolas Ferreira (PL-MG). O ato ocorrerá com um trio elétrico na Avenida Afonso Pena, principal avenida da capital mineira.
Assim como na Avenida Paulista, em São Paulo, e no Farol da Barra, em Salvador, Flávio e Nikolas estarão em cima de um trio elétrico. Acompanhando o bloco, haverá ainda uma motociata, tradição associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Estrategicamente, em pontos que são cartões-postais, para ter aquela imagem aérea, mostrando que há um engajamento além das redes sociais também nas ruas”, explicou a analista.
Em Minas Gerais, Flávio Bolsonaro abriu uma vantagem de 600 mil votos sobre Lula no primeiro turno, margem equivalente à que Lula obteve sobre Jair Bolsonaro na eleição de 2022 no mesmo estado.
À noite, Flávio encerrará sua campanha no Rio de Janeiro, em Copacabana, onde pretende também explorar uma declaração de Lula no debate da Band do último domingo (18).
“Lula disse que Flávio é um ‘malandro carioca’, o que acabou ofendendo muitos moradores do Rio de Janeiro e vai ser utilizado pelo senador nesse fechamento da campanha”, afirmou Edilene.
Lula realiza atos com artistas no RJ e em SP
Luiz Inácio Lula da Silva adotará uma estratégia diferente no último dia de campanha. Pela manhã, realizará um ato com artistas que o apoiam no Rio de Janeiro e, à tarde, repetirá o formato em São Paulo.
A aposta é mobilizar multidões por meio do apoio de personalidades do mundo artístico, em dois dos maiores colégios eleitorais do país, onde perdeu no primeiro turno.
Edilene destacou que Flávio concentrou a campanha do segundo turno em MG, RJ e SP, enquanto Nikolas e outros aliados avançavam pelo Nordeste. Já Lula, que mantém vantagem na região, enfrenta o desafio de recuperar votos nos estados do Sudeste.
“O presidente Lula tenta correr atrás dos votos que ele não conquistou no primeiro turno”, avaliou a analista.
Estratégias para “furar a bolha” do adversário
Além das agendas presenciais, ambos os candidatos adotam estratégias para alcançar parcelas do eleitorado que não seriam naturalmente seus.
Flávio Bolsonaro tem investido nas redes sociais e recebido apoio de grupos de gays, pessoas trans e mulheres que votam nele. “Tentando angariar uma parcela do eleitorado onde haveria uma fragilidade e onde a maior parte estaria com o presidente Lula”, destacou Edilene.
Entre as ações, destaca-se a gravação de vídeos com o influenciador Rico Melquiades, que se declara de direita, é gay, foi vencedor do reality-show “A Fazenda” e conta com mais de 10 milhões de seguidores nas redes sociais.
Lula, por sua vez, busca votos na direita, especialmente entre ex-integrantes do PSDB. Nomes como Aloysio Nunes, Miguel Reale Júnior e as filhas de Fernando Henrique Cardoso declararam apoio ao petista.
Esses apoiadores reafirmam seus valores liberais, mas afirmam que o bolsonarismo representa uma extrema-direita que não os representa.
“É uma tentativa de atingir quem não seria necessariamente atingido se a campanha seguisse o padrão anterior de cada um falando para as suas partes”, concluiu a analista.

