A gente já conta em horas o que falta para a decisão do segundo turno. Cerca de 120 do momento em que esta edição do WW está indo para o ar.

A vantagem reduzida que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mantém sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – de acordo com as últimas quatro pesquisas – aguenta esse número de horas?

Esse quadro deste momento não era muito diferente daquele de uns dois dias atrás. Ou seja, uma pequena porém constante vantagem de Flávio, alguma recuperação de Lula em relação ao resultado do primeiro turno.

Mas isso era antes do primeiro debate. Ele mudou alguma coisa? Aparentemente, não.

Foi um espetáculo degradante, lastimável, em parte grotesco, mas não parece ter sido decisivo. O que não surpreende os pesquiseiros. No resumo feito por um deles, decisivo são três coisas: carrinho de supermercado, dívida no banco e capacidade de consumo.

Se o carrinho não enche, a dívida aperta e tchau para o consumo, sofre quem está no governo.

A fórmula parece simples demais para explicar o ambiente de tensão, ódios e angústias nessas horas finais de eleição, mas está em linha com os tais fatores de grande amplitude, que na cabeça dos eleitores tem pouco a ver com ideologia, propostas, valores, costumes, religião. Diretamente a ver, quero dizer.

Uma parcela decisiva do eleitorado provavelmente não sabe o que é PIB, déficit nominal e buraco fiscal.

Neste momento, esses fatores simples e amplos provavelmente explicam a vantagem que Flávio exibe, e qual a razão de um debate tão esperado aparentemente ter trazido, até aqui, tão pouco resultado.