O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu para Flávio Bolsonaro (PL) em mais de 700 municípios onde havia vencido na eleição presidencial de 2022. O resultado evidencia uma significativa mudança no mapa eleitoral brasileiro, com uma marcante expansão da direita em relação ao pleito anterior.

Em 2022, o país apresentou um equilíbrio ligeiramente favorável ao campo da esquerda. Em 2026, esse quadro se alterou de forma considerável, com estados como Tocantins e Minas Gerais registrando viradas expressivas.

Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, foi um dos destaques dessa mudança. Flávio venceu no estado por cinco pontos percentuais, resultado que não era esperado pela campanha petista.

“A vitória de Flávio no primeiro turno se desenhou claramente no interior. Ele conseguiu vitórias consistentes em cidades pequenas e médias, não apenas no interior de São Paulo, mas também no de Minas Gerais”, afirmou o analista de Política Pedro Venceslau durante o Hora H desta segunda-feira (5)

Venceslau destacou que a estratégia da campanha de Flávio de visitar cidades do interior por meio de carreatas e motociatas teria surtido efeito. “A campanha no segundo turno deve se concentrar muito na região Sudeste novamente, porque é o maior colégio eleitoral do Brasil”, afirmou.

A expectativa da campanha de Flávio é contar com Tarcísio de Freitas (Republicanos) como cabo eleitoral empenhado na disputa, além do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que atuou ativamente na capital paulista, inclusive cobrando aliados que não estavam incluindo o nome de Flávio nos materiais de campanha.

Capital paulista e o perfil do eleitorado

Na cidade de São Paulo, os números mostraram Lula com 46,5% e Flávio com 42,1%. A diferença entre os dois lados da disputa na capital sempre foi mais acentuada do que no interior.

Pedro Venceslau ressaltou que o PT historicamente tem mais dificuldade no interior do estado de São Paulo, em cidades como Ribeirão Preto, que são muito ligadas ao agronegócio.

“O PT vai bem, por exemplo, na capital do Rio de Janeiro, vai bem em Belo Horizonte, historicamente, mas tem mais dificuldade no interior”, explicou. Em 2026, esse padrão se repetiu.

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