A possibilidade de o presidente Lula virar o jogo e ganhar a eleição existe, mas permanece um desafio muito grande e improvável.

Primeiro, pelo precedente histórico. Já houve outras eleições onde um candidato entra no segundo turno em desvantagem e vira o jogo.

Vimos isso na forma mais clara em 2014, quando o então candidato Aécio Neves (PSDB) chegou no segundo turno abrindo uma vantagem de quatro e cinco pontos percentuais sobre Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas.

A presidente reverteu o jogo e prevaleceu no segundo turno com três pontos percentuais.

Também temos um outro exemplo mais recente na América Latina, com Abelardo de la Espriella, na Colômbia: chegou no segundo turno abrindo uma vantagem de oito pontos sobre o candidato governista e só ganhou por menos de um ponto.

Reversões são totalmente possíveis. Mas o que dificulta uma reversão no Brasil, entretanto?

A principal diferença entre 2014 e a eleição na Colômbia é que quando a gente faz um diagnóstico sobre o que o eleitor está exigindo e preocupado, o ambiente de pano de fundo eleitoral não é favorável ao presidente.

O que as pesquisas têm mostrado é um senso de estagnação profunda na classe média, uma preocupação com temas como corrupção e segurança, e foi isso que falou mais alto no primeiro turno – e permanece um pano de fundo nesse segundo.

Mesmo que a campanha do PT consiga mobilizar nas ruas e nas redes para atacar a candidatura de Flávio Bolsonaro, as principais preocupações eleitorais ainda conspiram contra o presidente, deixando uma reversão bem difícil.

* Christopher Garman é mestre em ciências políticas, pesquisador e diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW