A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) representa uma virada estratégica significativa na campanha. Segundo a analista de Política Clarissa Oliveira, a decisão indica que Flávio deixou de lado o perfil moderado que vinha construindo e passou a apostar no confronto direto com Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.

Durante o Live CNN desta quinta-feira (6), Clarissa lembrou que o plano original traçado durante a pré-campanha era diferente. “A ideia era que ele fizesse um aceno na direção do centro.”

No entanto, o que se observa agora é uma campanha voltada ao confronto, com ataques centrados na crise do INSS e, principalmente, no caso envolvendo Lulinha, filho de Lula.

“Todas as movimentações que vimos nos bastidores apontam para essa direção, de uma decisão que veio quase no atropelo, feita muito em cima da hora”, observou Clarissa.

Ela pontuou ainda que a decisão foi tomada em um contexto de isolamento político, provocado pelo desembarque do Centrão, que vem optando pela neutralidade na disputa para a Presidência.

“Se eu não tenho centro comigo, vou fazer o aceno ao centro? Aparentemente não”, resumiu Clarissa.

Segundo ela, houve uma mudança estratégica em que Flávio opta por uma campanha de confronto com Lula e o PT, de apostar em retomar o sentimento antipetista no eleitorado e explorando ao máximo o tema da corrupção.

“Quando a gente observa todos os elementos dessa indicação, na formação final da chapa, a mudança radical de estratégia fica bastante evidente”, concluiu a analista.

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