O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 terminou com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um cenário não previsto pelas pesquisas. Durante o CNN Eleições, as analistas de Política da CNN Jussara Soares e Isabel Mega comentam o tema.

Flávio ultrapassou os 56 milhões de votos, enquanto Lula buscava alcançar os 54 milhões, com uma diferença inferior a dois pontos percentuais entre os candidatos. Os dois se enfrentarão novamente no dia 25 de outubro, em segundo turno, para definir quem ocupará o Palácio do Planalto.

Ao comentar o resultado, Flávio Bolsonaro declarou estar “muito satisfeito”, ressaltando que institutos de pesquisa apontavam sua desvantagem, mas que os trackings internos da campanha indicavam o contrário.

“Eu fiquei muito feliz com a quantidade de brasileiros que foram às urnas para se manifestarem, não se omitiram, porque queriam essa mudança e é o fim da era do PT”, afirmou o candidato do PL.

Lula reconhece resultado “inesperado”

Lula, por sua vez, admitiu que o placar foi “inesperado”, confessando que acreditava em uma vitória ainda no primeiro turno. Em seu discurso, o candidato buscou animar sua base ao relembrar experiências anteriores em que também não conseguiu vencer no primeiro turno, mas saiu vitorioso no segundo.

“A gente tem o segundo turno e o segundo turno é a hora da prova dos novos”, declarou.

Campanha de Flávio apostou no cotidiano do eleitor

Jussara Soares, que acompanhou de perto os aliados de Flávio Bolsonaro durante a apuração, revelou que a campanha já esperava terminar na frente. Um tracking interno apontava uma diferença de cerca de dois pontos percentuais, resultado próximo ao verificado nas urnas.

Segundo ela, a estratégia da campanha foi falar diretamente com o eleitor do dia a dia, abordando temas como segurança e custo de vida.

“Quando a campanha do presidente Lula estava falando de soberania e terras raras, Flávio Bolsonaro estava num supermercado”, exemplificou Jussara.

A analista acrescentou que a campanha de Flávio identificou uma brecha deixada pelo adversário: em 2022, Lula venceu vendendo esperança, mas esse discurso se tornou difícil de ser repetido após quatro anos de governo.

“Eles usaram essa brecha para tentar ser a campanha que pode de fato oferecer uma mudança para os brasileiros, muito focado na parte da economia”, explicou.

PT reconhece impacto da crise do STF e planeja virada

A analista Isabel Mega, que acompanhou presencialmente o discurso de Lula em São Paulo, descreveu um clima de desânimo no QG do candidato durante a apuração. Segundo ela, o PT esperava o avanço da direita, mas não imaginava que Flávio sairia à frente.

“Houve um sentimento de desânimo, muita apreensão”, relatou Isabel. Ela destacou que, ao entrar no saguão do hotel, Lula foi ovacionado pelos apoiadores e buscou transmitir confiança, reforçando que é “bom de segundo turno”.

Entre os petistas, a crise do STF (Supremo Tribunal Federal) foi apontada como um dos fatores decisivos para o resultado. O presidente da sigla, Edinho Silva, teria citado o tema ao ser questionado sobre o desempenho do partido.

Para o segundo turno, a estratégia do PT deve incluir ataques diretos ao adversário, comparativos de biografia e trajetória, além de um mergulho ainda mais intenso de Lula na campanha. Uma reunião de redirecionamento de rota estava prevista para o dia seguinte ao primeiro turno.

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