Na reta final da campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensifica a aproximação com Augusto Cury para tentar conquistar uma parcela dos eleitores que votaram no escritor no primeiro turno.

Segundo avaliação do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360°, a presença de Cury nas redes sociais de Flávio tem sido frequente, aparecendo em stories e em eventos de campanha.

Uma pesquisa Quest revelou que, entre os eleitores de Augusto Cury, 48% apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 33% declaram intenção de voto em Flávio Bolsonaro.

Esse dado explica o empenho da campanha de Flávio em mobilizar o próprio Cury.

Conforme apontou Pedro Venceslau, Cury é o único candidato do primeiro turno cujos eleitores se dividiram majoritariamente em favor de Lula, o que reduziu a vantagem de Flávio Bolsonaro nesse segmento.

Cenário entre eleitores de outros candidatos

O quadro é diferente quando se observam os eleitores de outros candidatos eliminados no primeiro turno. Entre os que votaram em Renan Santos — que tem adotado uma postura ambígua, mais crítica a Flávio Bolsonaro do que favorável a Lula —, 51% apoiam Flávio e 25% apoiam Lula.

Já entre os eleitores de Ronaldo Caiado, que, segundo Venceslau, “deu uma sumida” da campanha de Flávio Bolsonaro, 57% estão com Flávio e 21% com Lula. Romeu Zema também tem feito algumas aparições em apoio a Flávio Bolsonaro.

Estratégia de Lula para conquistar o centro

Do outro lado, Lula adota uma estratégia voltada ao eleitorado de centro. A campanha tem escalado Geraldo Alckmin para gravar vídeos e fazer intervenções públicas reforçando que ele não é de esquerda.

“A direita e a esquerda somos todos brasileiros”, é a mensagem que Alckmin tem transmitido. Venceslau destacou que Alckmin fez uma aliança inusitada com Lula em 2022, mas que isso não o transformou em socialista.

Além disso, a campanha de Lula tem explorado depoimentos de ex-bolsonaristas que mudaram de posição.

Nomes como Alessandro de Frota, Joyce Hasselman e Tony de Paula aparecem em vídeos veiculados nas redes sociais e no horário eleitoral.

Em alguns casos, esses nomes declaram apoio direto a Lula; em outros, apenas afirmam ser de direita e defender a candidatura de Lula especificamente contra Flávio Bolsonaro.

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