Com o mote de resgate das origens sindicais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PT (Partido dos Trabalhadores) reunirá apoiadores no estádio da Vila Euclides, no ABC paulista, neste domingo (16).
O ato de lançamento oficial da campanha foi pensado para resgatar o passado do petista, conectá-lo com a origem sindical e vendê-lo como um presidente “improvável”, segundo apurou a CNN Brasil.
A lógica da convenção do PT, no último dia 02, foi pensada para a transmissão nas redes do partido. Já o ato na Vila Euclides, onde Lula discursou em 1º de maio de 1979 durante as greves de trabalhadores metalúrgicos do ABC, foi planejado para envolver quem estará lá presencialmente.
Neste “reencontro com o passado”, o PT quer pregar que o Lula de hoje, aos 80 anos de idade e na oitava participação em uma eleição, é o mesmo Lula de 1979 e que segue ao lado do trabalhador e dos mais pobres e tem uma continuidade a vender.
O PT parte da convicção de que a parcela mais jovem da população já conheceu Lula como presidente da República e não se conecta com a história de vida do petista até chegar ao posto máximo do país. É justamente esse público que tem ligado alerta na campanha porque não está entregando intenção de votos nas medições feitas pelo partido.
Apesar do apego à tradição sindicalista de Lula, o ABC deixou de ser um reduto petista: hoje o partido tem a prefeitura somente de Mauá na região. Em 2008, perto do auge da popularidade de Lula, a sigla chegou a comandar simultaneamente três cidades da região.
O ato foi planejado para ser enxuto nos discursos de membros do partido e aliados de outras siglas, como presidentes partidários.
Assim como na convenção que oficializou a candidatura, o teleprompter estará à disposição e com promessa de Lula à equipe de que desta vez não irá ceder ao improviso pelo qual é conhecido nas falas públicas.
Apesar do aconselhamento para que leia a fala preparada por auxiliares, aliados não creem que o presidente seguirá à risca o script. A preocupação é com temas relevantes e que podem ficar de fora no embalo do improviso.
Na convenção, temas considerados fundamentais pela equipe foram ou tratados superficialmente pelo petista ou ignorados. Foi o caso do fim da jornada 6×1, que não chegou a ser citado por Lula durante a fala de 62 minutos ao público. A alusão à pauta ficou por conta apenas de cartazes na plateia.
A avaliação também foi de que Lula poderia ter explorado mais bandeiras da educação. O presidente falou sobre ensino integral, mas não detalhou propostas para o futuro, nem relembrou legados do PT em uma área crucial.
A equipe de Lula avalia que é somente nesses momentos que o presidente consegue estar em um ambiente controlado e que as falas precisam pontuar questões caras ao projeto de reeleição.
O PT convocou caravanas apenas de cidades mais próximas ao ABC paulista. No restante do país, a mobilização é para que a militância faça atos em simultâneo para ecoar a campanha. Fora de São Paulo, o partido foca estratégias em localidades como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza.
Em Belo Horizonte, onde Lula pretende ir por duas vezes nas próximas semanas, haverá um evento em paralelo no domingo com um coral de vozes com Lula.

