As campanhas presidenciais já se preparam para as propagandas eleitorais depois que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou a tabela de representatividade dos partidos. A lista é usada como base para o tempo de propaganda de cada candidato e vai guiar os conteúdos produzidos pelos partidos, que vão ao ar entre 28 de agosto e 1º de outubro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá usar seu QG de Brasília para gravar os vídeos. Ele terá em torno de 5min32s e deverá focar nas entregas feitas pelo Planalto e nas promessas para um eventual quarto mandato. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil é a última das grandes mudanças que será usada como bandeira pela campanha petista.

A principal proposta que ainda não foi aprovada e será usada como promessa para o próximo mandato é o fim da escala de trabalho 6×1. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) está travada no Senado e só deve ser votada depois das eleições.

Lula usará o espaço na TV e no rádio para dizer que seu governo encabeçou e deu andamento ao texto na Câmara dos Deputados.

Já a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tem o seu QG montado em São Paulo e deverá gravar vídeos com o candidato também em Brasília e no Rio de Janeiro. O nome forte do bolsonarismo terá cerca de 4min20s e deverá explorar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para mobilizar a base de extrema direita.

O grupo comandado pelo publicitário Duda Lima tem produzido conteúdos para ligar o PT a casos de corrupção e cita o senador Jaques Wagner (PT) como o último caso grave. Ele é investigado por suspeitas de recebimento de propina do Banco Master. Além disso, Flávio deve abordar as investigações envolvendo o filho mais velho de Lula, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, também conhecido como Lulinha, no âmbito das fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social),

A tendência é que a campanha de Flávio explore esses conteúdos e foque também na segurança pública, usando a redução da maioridade penal para 16 anos como a principal bandeira eleitoral.

O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, será o terceiro na lista de candidatos com tempo de televisão. Ele terá 2 minutos e 2 segundos na propaganda eleitoral gratuita e tem o seu QG montado em São Paulo. O ex-governador de Goiás deverá concentrar seus trabalhos de campanha no estado para manter contato com aliados como o chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A campanha de Caiado apostará em uma receita que já foi explorada em 2022 por outros candidatos de centro: o afastamento dos dois polos. Ele tentará se colocar como um político fora da “polarização”, e apostará na sua gestão no estado de Goiás.

A principal plataforma eleitoral de Caiado é a segurança pública e esse será o grande tema usado nas produções audiovisuais. Segundo o ex-governador de Goiás, o estado é um dos mais seguros do país por meio do aumento da repressão contra o crime. Essa política, de acordo com ele, será reproduzida a nível nacional caso ele seja eleito.

O último candidato que terá acesso à propaganda eleitoral gratuita é Augusto Cury, do Avante. O partido deve ter 36 segundos nas propagandas e também tem o seu QG montado em São Paulo. Ele também se colocará como uma alternativa à Lula e Flávio. A campanha tem apostado na carreira de médico psiquiatra para construir a imagem do candidato.

O partido Novo, de Romeu Zema, e o Missão, de Renan Santos, não atingiram a quantidade exigida na cláusula de desempenho e, por isso, não terá acesso à propaganda eleitoral gratuita.

Entenda como funciona a distribuição

A chamada cláusula de desempenho é uma regra que estabelece que os partidos precisam atingir um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou um número mínimo de deputados eleitos para ter acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda na televisão e no rádio. Na prática, essa norma força os partidos a terem um desempenho nacional e não apenas regional.

O cálculo de tempo de propaganda eleitoral gratuita considera os 510 deputados federais eleitos. Do tempo total, 90% é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos em 2022. Os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho.

Na última eleição geral, em 2022, 15 partidos não atingiram a cláusula. Naquele ano, para superar a “barreira”, as agremiações precisavam eleger ao menos 11 deputados federais, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, nove estados ou oito estados e no Distrito Federal; ou conseguir ao menos 2% dos votos válidos, com um mínimo de 1% em nove estados.