O líder do PT no Senado e coordenador de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Camilo Santana, criticou nesta sexta-feira (16) o que classificou como “interferências externas” nas eleições brasileiras. Em entrevista à CNN, ele citou as limitações da Meta na produção de conteúdo favorável à campanha petista.
Segundo Camilo, a campanha denunciou ao longo da semana tanto a atuação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em relação à página “Exército do Lula” quanto a ação das big techs. Para o senador, o tribunal precisa ser imparcial para não desequilibrar a disputa.
“Nós denunciamos essa semana não só a interferência e a censura por parte do TSE em relação à página Exército do Lula, o desequilíbrio que estava sendo feito, porque o TSE precisa ser imparcial para não desequilibrar as campanhas. E denunciamos as interferências externas nas eleições aqui no Brasil”, afirmou.
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Camilo afirmou ainda que a denúncia foi levada ao exterior. Na quinta-feira (15), segundo ele, a campanha se reuniu com observadores internacionais para que eles ouvissem o relato de que a atuação da empresa norte-americana estaria prejudicando a candidatura do presidente.
“O brasileiro passa, em média, nove horas nas redes sociais. Então a gente sabe a força das redes. E a própria Meta reconheceu esse desequilíbrio na distribuição de conteúdos nossos e do Flávio”, disse, em referência ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, adversário de Lula nas eleições.
Entenda
A coligação Brasil Pronto Pra Mais, de Lula, acionou o TSE após usuários e influenciadores relatarem que a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial integrada a WhatsApp, Instagram e Facebook, recusava pedidos de imagens com o nome de Lula, mas atendia solicitações equivalentes com o nome de Flávio Bolsonaro. Testes feitos pela CNN na quarta-feira (14) identificaram respostas diferentes para comandos com a mesma proposta.
Em nota, a Meta informou que proibiu temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens deles. A empresa também reconheceu falhas técnicas em anúncios e publicações da campanha de Lula, mas negou que seus algoritmos tenham viés ideológico.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reuniu-se com representantes da Meta na quinta-feira. Na noite do mesmo dia, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou, em liminar, que a empresa não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral de nenhum dos dois candidatos até o fim do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A multa em caso de descumprimento é de R$ 500 mil por dia. Na decisão, Bellizze escreveu que não afirma, “nesta fase”, que a plataforma tenha manipulado a distribuição de conteúdos em favor ou contra qualquer candidatura.

