Os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), se enfrentaram pela primeira vez neste domingo (09), em debate promovido pela TV Bandeirantes. Dentre os temas mais visitados pelos dois postulantes, segurança pública, educação e a situação da Cracolândia tiveram destaque.
Em um debate civilizado, os dois únicos candidatos de chapas competitivas enalteceram seus padrinhos políticos e criticaram as alianças partidárias uns dos outros, evidenciando a polarização da eleição em âmbito nacional.
Segurança Pública
A segurança pública foi um dos pontos de maior evidência ao longo do debate. Enquanto Haddad criticou estatísticas da gestão atual, afirmando que o estado precisa avançar no uso de tecnologia para o combate ao crime, Tarcísio enalteceu o próprio governo e teceu elogios ao seu antigo secretário, Guilherme Derrite (PP).
De acordo com o candidato petista, o estado de São Paulo está “no tempo do telefone fixo em termos de inteligência artificial para combater o crime“.
“Estamos tendo uma epidemia de crimes contra a mulher”, declarou. “Crimes raciais estão explodindo em SP e você não tem sequer um discurso para combater isso que afeta 70% das pessoas de São Paulo.”
O governador rebateu as críticas destacando ações como a ampliação das Delegacias da Mulher. De acordo com ele, as políticas implementadas no estado estão apresentando resultados.
“A política pública está funcionando“, afirmou.
Cracolândia
A Cracolândia é sempre um tema de destaque quando se trata de eleições tanto ao governo, quanto à Prefeitura de São Paulo. Ao chegar neste ponto, Tarcísio citou a inauguração da Praça do Triunfo como parte das ações realizadas na região.
Haddad, quando questionado sobre o desempenho do programa Braços Abertos, implementado durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo, afirmou que este não tinha como objetivo enfrentar o tráfico de drogas, o que caracterizou como uma atribuição das forças de segurança.
O candidato do PT também atribuiu parte dos resultados obtidos no combate à Cracolândia à atuação do Ministério Público.
“O Ministério Público foi essencial”, afirmou. “Sem o Ministério Público, que é desrespeitado pela falta de menção, nada disso teria acontecido.”
Em seguida, Tarcísio admitiu e defendeu que a solução para o problema depende da articulação entre diferentes instituições.
“A solução da Cracolândia passa pela união de todos, é um problema de todos“, declarou.
Apadrinhamentos políticos e alianças
O debate teve, ao longo de todo o tempo, uma cara de 2° turno. De um lado, o candidato apoiado pelo bolsonarismo, Tarcísio de Freitas; e de outro, o candidato da base lulista, Fernando Haddad.
Em determinado momento, Tarcísio rebateu o petista, alegando não ter “vergonha” de Bolsonaro, mas sim “gratidão”:
“Eu não tenho vergonha não, vou ter sempre gratidão ao Bolsonaro“, disse. “É uma pessoa [Bolsonaro] que estendeu a mão, uma pessoa que pegou um técnico e transformou esse técnico em ministro”
Por outras vezes, Haddad cobrou gratidão do atual governador de São Paulo em relação a Lula em projetos como o túnel Santos-Guarujá e a situação da Favela do Moinho.
“Você agradeceu o governo federal? Você agradeceu os 180 mil que a Fazenda liberou?“, questionou.
Segundo Haddad, Tarcísio costuma destacar a atuação de parceiros estaduais e municipais, mas não dar o mesmo destaque ao governo federal.
“Você sempre procura não colocar as parcerias que nós, por obrigação, fazemos”, afirmou.
Caso Master
A despeito da alta taxa de juros, o ex-ministro da Fazenda lembrou a Selic do final da gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central e aproveitou o momento para dizer que não apenas a taxa era alta, mas que, sob o comando do economista na instituição, aconteceu o maior escândalo financeiro da história do Brasil, o caso Master.
Ao fim do terceiro e último bloco do debate, Tarcísio elogiou o trabalho do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB) ao comparar o mandato de Haddad, entre 2013 e 2016.
“Hoje eu estou trabalhando com o prefeito Ricado Nunes, maior prefeito da história dessa cidade, tem uma aprovação enorme, é um prefeito que tá arrebentando, que tem obra em todas as periferias, que cuidou das pessoas. Aí dá pra perceber muito bem, ele foi reeleito, não perdeu para brancos e nulos na sua eleição. Sequer você foi para o segundo turno. Isso diz muito, a população rejeitou e aqui, aqui tem trabalho, aqui tem entrega”, afirmou.
Em considerações finais, o candidato do PT respondeu citando a dívida da capital paulista e o envolvimento da atual gestão municipal com a produtora responsável pelo filme “Dark Horse“, alvo de investigações da Polícia Civil do estado.
“Com R$ 80 bi em caixa, com fim da dívida, o cara já está endividando a cidade em R$ 50. E ainda com um contrato aí de wi-fi para ser desviado o dinheiro para o PCC uma parte e para fazer o filme do Bolsonaro por outra”, disse Haddad em referência a Nunes. “Vai com calma, pega leve, não abusa da retórica, porque eu não te desrespeitei e não gostaria de ser desrespeitado nos nossos próximos embates.”

