O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse à CNN Brasil na noite desta segunda-feira (26) que, caso a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não seja reconhecida, a legenda vai mobilizar a população e levar apoiadores às ruas.
Edinho afirmou que é “inaceitável” o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, não reconhecer o resultado do pleito.
“Estamos convocando a executiva nacional do PT para quinta-feira a gente se reunir, avaliar esse cenário, porque se não for reconhecida a eleição do presidente Lula, se não for reconhecida a democracia brasileira, nós também vamos mobilizar e pôr gente nas ruas, nós vamos criar um plano de mobilização nessa reunião de quinta-feira para que a gente mobilize o Brasil”, afirmou à CNN Brasil.
Na ocasião, ainda disse que Flávio tem respaldo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Porque o que estão fazendo é uma inconsequência, é uma irresponsabilidade do Flávio Bolsonaro, respaldado pelo Donald Trump, que tentou intervir na eleição no Brasil por meio das big techs, nós denunciamos, a ONU reconheceu, a própria meta reconheceu que ela errou no impulsionamento de publicidade, portanto teve uma ingerência no processo eleitoral e agora está tendo uma ingerência internacional no resultado das eleições no Brasil?”, questionou.
Mais cedo, como mostrou a CNN Brasil, Trump afirmou, sem apresentar provas, que a votação no Brasil “pareceu mais uma eleição fraudada”, mas disse que gosta de Lula e que se dá bem com o petista.
No domingo (25), Trump disse que monitorava a eleição brasileira, mas não declarou apoio a nenhum candidato.
Após o primeiro turno, porém, o americano disse que o desempenho de Flávio Bolsonaro — que ficou à frente de Lula — era uma “grande vitória”.
“Bem, é uma grande vitória — apertada, mas uma vitória muito grande. Incrível, na verdade”, afirmou a jornalistas ao sair da Casa Branca.
Como mostrou a CNN, o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, disse no início de outubro que a corporação chegou a abrir uma investigação sobre uma possível interferência dos EUA nas eleições brasileiras.
Lula reforçou a preocupação diversas vezes em discursos. O petista disse que chegou a conversar com Trump e que o americano garantiu que não interferiria no pleito.
Anulação do resultado
No domingo, em discurso após a derrota, Flávio disse que pediria anulação das eleições que deram a vitória ao petista.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram; vamos pedir anulação dessas eleições”, disse o candidato.
Na ocasião, acusou interferência de Cristiano Zanin, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), por ter determinado a extensão do horário de votação em todo o território nacional após pedido da campanha de Lula.
Nesta segunda, porém, integrantes da campanha de Flávio afirmaram à CNN que Flávio desistiu e não haverá pedido de anulação da votação. A estratégia será contestar supostos abusos da máquina pública durante a campanha, sem colocar em dúvida a validade dos votos.
Mais tarde, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, anunciou que a sigla reconhece o resultado do pleito, mas disse que os questionamentos sobre o segundo turno “precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático”.

