Em seu primeiro giro por um estado nordestino na campanha presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) minimizou nesta quarta-feira (26) a ausência de lideranças do centrão nos compromissos em Alagoas e afirmou que já conta com o apoio dos “principais quadros” de partidos de centro.

Em Arapiraca, no interior alagoano, o candidato também falou sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil e disse ter tentado agir anteriormente para evitar as medidas. Ao criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atribuiu ao petista a responsabilidade pela taxação.

“Eu tentei fazer minha parte lá atrás, porque o Lula fez muita força, pediu esse tarifaço, implorou por esse tarifaço e ele conseguiu. Mérito do Lula, parabéns, Lula, pelo Brasil ser tarifado pelos Estados Unidos”, afirmou.

Questionado se pretende participar de novas negociações sobre o tema, Flávio disse que essa é uma atribuição do atual presidente, mas afirmou que, se eleito, pretende adotar uma postura que enxerga ser diferente na relação com outras potências.

“Quem tem que fazer isso é o presidente do Brasil”, disse.

“Eu, enquanto presidente da República, pode ter certeza que vai ter um presidente que vai sentar de igual para igual, com credibilidade, com os Estados Unidos, China, Índia, Argentina, Israel, Abu Dhabi, Oriente Médio inteiro, para fazer os melhores acordos que sejam bons para o povo brasileiro.”

As agendas em Alagoas tiveram como principal anfitrião o deputado Alfredo Gaspar (PL), escolhido por Flávio para compor sua chapa como vice.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aproveitou a passagem pelo estado para apresentar o alagoano como uma das principais referências de sua proposta para a segurança pública e como símbolo do espaço que pretende dar ao Nordeste.

Ao ser questionado sobre a ausência de representantes do centrão nos eventos, Flávio sinalizou argumentar que a falta de dirigentes partidários não significa ausência de apoio político.

Não participaram das agendas de Flávio, por exemplo, o ex-presidente da Câmara dos Deputados e candidato ao Senado por Alagoas, Arthur Lira (PP), e o ex-prefeito de Maceió e candidato ao governo estadual, JHC (PSDB).

“O mais importante é que os principais quadros dos partidos de centro estão nos apoiando. Aqui em Alagoas, o principal quadro — que não é do centro, é do PL — é o Alfredo Gaspar. É a maior representatividade que o Nordeste pode ter numa chapa presidencial”, afirmou Flávio.

Flávio disse ainda que pretende dar “um olhar especial” à região.

“O Brasil só vai ser grande quando o Nordeste for grande”, declarou.

Em Arapiraca, Flávio também exaltou a atuação de Alfredo Gaspar quando era secretário de Segurança Pública de Alagoas. O senador relembrou o caso de uma menina sequestrada na região que foi resgatada após uma operação policial.

Segundo Flávio, Gaspar mobilizou a polícia e conseguiu encontrar a criança em menos de dez horas. Para o candidato, o episódio é um exemplo de como o fortalecimento das forças de segurança pode proteger as famílias.

Ele aproveitou a lembrança para fazer uma comparação com a situação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que, se eleito, subirá a rampa do Planalto “com duas pessoas libertadas do cativeiro: Mariana e Jair Bolsonaro”.

Flávio também criticou a sensação de insegurança e disse que as famílias brasileiras estariam perdendo a “soberania” sobre as próprias casas.

Na tentativa de ampliar seu discurso para além da segurança, Flávio afirmou que pretende manter o Bolsa Família. Disse, porém, que quer criar uma nova “esteira de serviços” para permitir que beneficiários estudem, se qualifiquem e consigam empregos melhores.

O candidato também defendeu investimentos em infraestrutura e energia no Nordeste. Prometeu ampliar a malha ferroviária por meio de concessões, com foco principalmente no escoamento da produção regional.

Flávio citou o potencial da região para a geração de energia solar e eólica e defendeu investimentos em baterias para armazenamento da eletricidade produzida.

O senador também mencionou o potencial da produção de alimentos e disse que a expansão das ferrovias poderia ajudar a impulsionar o turismo nordestino.

“Pros turistas virem pra cá gastar dólar, euro, pra ficar aqui com o povo nordestino”, disse.

Na saúde, Flávio voltou a defender a criação de um prontuário digital e a integração dos sistemas de atendimento, incluindo agendamentos.

Também afirmou que pretende ser um “presidente municipalista”, com uma relação próxima com prefeitos e governadores.

Flávio ainda voltou a dizer que considera Lula seu principal adversário e que pretende enfrentá-lo diretamente nos debates eleitorais.

“Eu tenho dito: eu tenho que debater é com ele. Tô esperando um debate é com ele”, afirmou.

O candidato disse que pretende confrontar o presidente sobre denúncias de corrupção e voltou a citar as recuperações judiciais de empresas e o endividamento das famílias como temas que pretende explorar durante a campanha.

“A gente tem que esfregar a verdade na cara dele”, declarou.