A pré-campanha de Flávio Bolsonaro para a presidência da República enfrenta um momento de turbulência. A busca por um candidato a vice foi colocada em segundo plano diante da necessidade de conter os danos causados pela crise com Michelle Bolsonaro, que deixou a presidência do PL Mulher em meio a desentendimentos tornados públicos há cerca de dez dias.
Desde então, Flávio e Michelle têm trocado indiretas e alfinetadas em declarações públicas e publicações nas redes sociais. O episódio se soma a outros desgastes recentes da pré-candidatura, incluindo as repercussões do caso Dark Horse.
Há ainda uma preocupação entre os aliados de Flávio Bolsonaro em relação ao contato diário de Michelle com Jair Messias Bolsonaro. “Há uma avaliação de que pode haver uma tentativa de influência sobre os rumos da candidatura do senador, que foi o escolhido para carregar a herança política do ex-presidente”, afirmou o analista de política Teo Cury ao Live CNN desta sexta-feira (3).
Segundo Cury, a avaliação predominante na pré-campanha é de que o candidato a vice deve ser uma mulher, preferencialmente de direita ou centro-direita, ou com boa relação com o eleitorado evangélico.
A estratégia visa compensar a dificuldade histórica da família Bolsonaro com o eleitorado feminino, que representa a maioria do eleitorado brasileiro e foi decisivo para a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
Disputa interna de poder
Segundo relatos obtidos pela analista de Política Clarissa Oliveira, há uma disputa interna de poder dentro da equipe de Flávio Bolsonaro que contribui para as dificuldades na definição do vice. Aliados apontam que Rogério Marinho, coordenador da campanha, tem gerado atritos com outros setores e dificultado o avanço das conversas.
“Existem vários setores que estariam, segundo os relatos que eu tive, incomodados, inclusive com a atuação do coordenador da campanha, Rogério Marinho, que é apontado como muito centralizador“, relatou Clarissa, também ao Live CNN desta sexta.
Além dos conflitos internos, a campanha também enfrenta dificuldades para firmar alianças com partidos do Centrão. Havia uma expectativa de se consolidar, desde o início da disputa, uma aliança formal que possibilitasse a indicação de um vice por um partido de centro.
“Falou-se no PP e no Republicanos, só que a gente sabe que o guia esses partidos é principalmente a perspectiva de poder”, ressaltou Clarissa. Segundo a analista, a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de opinião tem afastado o interesse desses partidos.
O nome de Daniela Marques, que está no Republicanos e atua na área econômica da pré-campanha, chegou a ser cogitado para a vaga. No entanto, segundo Clarissa, há resistências internas e a questão da composição partidária também entra na equação.
Uma fonte ouvida pela analista comparou o impasse vivido por Flávio Bolsonaro ao que Fernando Haddad (PT) enfrentou recentemente na pré-campanha para o governo do estado de São Paulo. “Foi necessária uma intervenção do presidente Lula” para que Márcio França fosse acomodado como vice”, lembrou Clarissa.
A dificuldade, segundo essa fonte, reside no fato de que poucos políticos se mostram dispostos a ocupar o segundo lugar em uma chapa com perspectivas incertas de vitória.

