O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, quer uma candidatura própria do Partido Liberal ao governo de Minas Gerais, caso o senador Cleitinho (Republicanos) não concorra em outubro. A informação foi confirmada pela Itatiaia.
Segundo a apuração, o entendimento da cúpula nacional do PL é de que apenas se justificaria abrir mão da cabeça de chapa caso o senador mineiro, que é líder nas pesquisas, concorresse ao governo.
Com uma candidatura pura do PL, a sigla pretende fortalecer o número do partido no estado e dar um palanque mineiro para Flávio na disputa ao Planalto.
A intervenção ocorre em meio ao processo de definição da chapa no estado, diante da tentativa de solucionar a crise aberta com os postulantes, como Marcelo Aro (PP), ex-secretário de estado do Governo, que se articulou para ser o nome da coligação PL, Republicanos e a Federação União Progressista, mas que desconsiderou as pré-candidaturas do Partido Liberal, como a do ex-prefeito de Betim, Vittório Medioli e do presidente licenciado da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flávio Roscoe.
A movimentação de Aro também desagradou os parlamentares que fazem parte da base bolsonarista raiz, como o deputado federal Cabo Junio Amaral, o qual não teve o apoio do ex-secretário quando concorreu nas últimas eleições à prefeitura de Contagem. À época, o PP decidiu apoiar a reeleição da então prefeita Marília Campos (PT).
Além do deputado, o movimento de Marcelo Aro também reverberou no ex-prefeito de Patos, Luís Eduardo Falcão, que se filiou ao Republicanos e se desincompatibilizou da prefeitura, a convite de Cleitinho, para assim integrar o projeto da candidatura ao governo mineiro.
O acerto do senador com Falcão foi de que ele seria o vice da chapa e, na hipótese de o senador não concorrer, o próprio Falcão seria o candidato, contando com o apoio dele.
Essa não é a primeira vez que o ex-prefeito tem problemas com Marcelo Aro. Em abril de 2023, à época da eleição à Associação Mineira dos Municípios (AMM), Falcão, que era filiado ao Novo e tinha a promessa de apoio do então governo de Romeu Zema, precisou se rearticular para enfrentar a campanha de Marcos Vinicius Bizarro, que disputava a reeleição.
Aro, por sua vez, e toda a estrutura do Executivo deram sustentação a Bizarro, que no final saiu derrotado.
A movimentação de Marcelo Aro para agregar o campo da direita em torno de seu nome se intensificou após o senador Carlos Viana, candidato à reeleição, se filiar ao PSD.
Dessa forma, ele encontrou o argumento para desembarcar do governo de Mateus Simões (PSD), no qual tem indicações de primeiro escalão e em mais de 500 posições de cargos comissionados.
Aro quis pressionar Mateus Simões a interferir junto à cúpula nacional para barrar Viana, articulando com a bancada federal mineira do PP e do União e levando a discussão às lideranças nacionais da Federação União-PP.
Depois de alegar ter sido “traído” por Simões, dali saiu com o aval para que concorra não mais ao Senado, mas ao governo de Minas.
Aro, que já mantinha conversas com Cleitinho e com a presidência do Republicanos no estado, convenceu-os a apoiá-lo na hipótese de Cleitinho não ser candidato, antecipando-se ao próprio senador, e levando ao PL de Minas a notícia de que Cleitinho não seria candidato e que o apoiaria.
Dessa forma, o PL no estado viu a possibilidade de construir a alegada “unidade” do campo da direita em torno de Aro, que adicionalmente, prometeu entregar o apoio da Federação União Progressista ao PL em outros estados.
As movimentações pareciam correr bem para Aro, até que as bases parlamentares e outras lideranças do partido e do próprio Republicanos reagiram.
Flávio Bolsonaro interferiu, orientando pela candidatura própria da legenda em Minas, caso Cleitinho, que vive o luto do irmão e até então não se pronunciou, não venha a concorrer.
Interlocutores do governo Mateus Simões consideram “absurda” a alegação de Marcelo Aro de que teria sido traído: a indicação dele para concorrer à primeira vaga do Senado estava garantida.
Além disso, afirmam os interlocutores do governo, Aro teria ganhado musculatura para estruturar a sua campanha ao Senado por sua posição no governo Zema, que lhe permitiu distribuir aos prefeitos mineiros verbas orçamentárias, o que ele fez mediante a promessa de apoio futuro na disputa ao Senado.

