Lula (PT) e Davi Alcolumbre (União-AP) se encontraram nesta sexta-feira (14) pela terceira vez desde que retomaram o diálogo. Os encontros revelam uma aproximação cada vez mais consistente entre os dois, marcada por interesses políticos convergentes em diferentes frentes.
Segundo o analista de Política Pedro Venceslau, a relação entre os dois tem múltiplas camadas. “Uma delas é o Amapá”, afirmou Venceslau durante o Hora H desta sexta-feira (14).
De acordo com Venceslau, houve uma convergência no Amapá entre o grupo político do PT, liderado por Randolfe Rodrigues, e o grupo de Alcolumbre.
“Há uma negociação em curso para que o presidente Lula faça uma viagem de campanha para Macapá, para aparecer ao lado de Clécio Luis (União-AP), que é o candidato apoiado por esse grupo e pelo próprio Alcolumbre”, afirmou.
Segundo o analista, também está sendo negociada a participação de Lula em gravações para o horário eleitoral do candidato do União Brasil no estado.
Clécio Luis tem como candidato a vice Teles Júnior (PDT) e como candidato ao Senado o próprio Randolfe Rodrigues (PT). A coligação em torno de Clécio Luiz para o governo do Amapá reúne União, PDT, MDB, PP, PT, PCdoB e PV.
No campo oposto, o candidato Dr. Furlan (PSD), apoiado pelo PL e pelo bolsonarismo, aparece bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Sua coligação conta com PSD, Podemos e Novo.
De acordo com Venceslau, Furlan tem evitado fazer uma campanha centrada na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), preferindo puxar o debate para questões estaduais e se distanciar das disputas ideológicas. “Ele sabe que, se fizer isso, vai fazer o jogo do adversário”, avaliou o analista.
Contrapartidas e perspectivas para 2027
Além da questão eleitoral no Amapá, Alcolumbre tem oferecido uma série de contrapartidas a Lula. Entre elas, está a desobstrução de pautas do governo no Congresso Nacional.
“Não só olhando para o Amapá, mas também olhando para 2027, na disputa pela presidência do Senado, que deve ser foco principal dele a partir da eleição do ano que vem”, afirmou Venceslau.
A aproximação entre os dois é descrita pelo analista como “bastante consistente”, envolvendo o grupo político de Alcolumbre no Congresso Nacional, que representa a maioria dos votos, e também sua base no estado do Amapá.

